A ex-primeira-ministra do Bangladesh, Sheikh Hasina, já condenada à morte pela repressão dos motins no país em 2024, foi sentenciada esta quinta-feira a 21 anos de prisão em três processos de corrupção.
Presidido pelo juiz Abdullah Al Mamun, um tribunal da capital bengali, Daca, reconheceu Hasina, de 78 anos, julgada à revelia, culpada de ter adquirido ilegalmente terrenos nos subúrbios da maior cidade do país.
“A conduta da primeira-ministra (…) revela uma inclinação persistente para a corrupção, alimentada por um sentimento de impunidade, poderes ilimitados e uma ganância manifesta pelos bens públicos”, denunciou o magistrado ao proferir a decisão.
O filho e a filha de Hasina foram condenados esta quinta-feira, nos mesmos processos, a cinco anos de prisão.
No poder desde 2009, Sheikh Hasina foi condenada na semana passada à pena capital por ter ordenado às forças de segurança que abrissem fogo sobre os manifestantes que a desafiaram em julho e agosto de 2024.
A ex-primeira-ministra negou ter dado essa ordem e denunciou um julgamento “politicamente motivado” com um “veredicto pré-estabelecido”.
De acordo com a ONU, a repressão dos motins causou a morte de pelo menos 1.400 pessoas, na maioria civis.
Ameaçada pela multidão no palácio em Daca, Sheikh Hasina fugiu do país de helicóptero a 5 de agosto de 2024, encontrando refúgio na vizinha Índia.
Após a condenação à morte, o Bangladesh enviou um pedido de extradição a Nova Deli, que disse, na quarta-feira, que o mesmo estava “em análise”.
Hasina também é acusada no Bangladesh em outros três casos de corrupção, juntamente com a irmã Sheikh Rehana e os filhos desta, entre os quais a deputada britânica Tulip Siddiq.