A TAP disse esta quinta-feira que a falta de condições de segurança, impostas pelos seus padrões internos e pelo regulador, não permite voar para a Venezuela de momento, garantindo que quer continuar a servir a diáspora naquela região.
“A TAP voa há quase 50 anos para a Venezuela e quer continuar a servir a comunidade e a diáspora nacional naquela região. Todavia, não o pode fazer de momento por falta de condições de segurança, impostas tanto pelos seus standards internos, como pela ANAC [Autoridade Nacional da Aviação Civil]”, afirmou a companhia aérea, em resposta escrita enviada à Lusa.
A transportadora aérea tem dois voos por semana para Caracas, às terças e aos sábados. Os passageiros que já compraram bilhetes para os próximos voos podem pedir o reembolso. A TAP não dá informação sobre o universo de passagens vendidas para as próximas semanas.
A TAP não foi a única companhia aérea a suspender os voos. Também a Iberia, Avianca, Latam Colombia, Turkish Airlines e Gol o fizeram. A medida foi tomada depois de a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) ter recomendado, na passada sexta-feira, que as companhias aéreas comerciais “exercessem extrema cautela” ao sobrevoar a Venezuela e o sul das Caraíbas devido ao que considera “uma situação potencialmente perigosa na região”.
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, reagiu esta quinta-feira afirmando que o “Governo de Portugal não cede a ameaças, ultimatos ou pressões de qualquer natureza”, numa publicação divulgada nas redes sociais, acompanhada de uma imagem relacionada com a revogação da licença da TAP pela Venezuela e outra sobre a ameaça da Ryanair de deixar os Açores a partir de março.
O Governo de Portugal não cede a ameaças, ultimatos ou pressões de qualquer natureza.
A nossa atuação é guiada exclusivamente pelo superior interesse nacional e pela defesa intransigente da segurança dos portugueses — em qualquer parte do mundo.Em matéria de aviação civil, como… pic.twitter.com/r7fRwZH5Lb
— Miguel Pinto Luz (@miguelluz) November 27, 2025
“Em matéria de aviação civil, como em todas as áreas estratégicas, Portugal respeita as regras internacionais, as melhores práticas de segurança e a coordenação com as autoridades aeronáuticas competentes”, lê-se na publicação de Miguel Pinto Luz.
O governante vincou ainda que Portugal “é um país livre, soberano e responsável” e que o Governo agirá “sempre com serenidade, firmeza e sentido de Estado”.
Venezuela revoga licenças de operação de várias companhias aéreas
O Governo venezuelano cumpriu a ameaça e revogou as licenças de operação de várias companhias aéreas internacionais, entre as quais a TAP, acusando-as de se “unirem aos atos de terrorismo” promovidos pelos EUA.
Horas depois do prazo estipulado pelas autoridades venezuelanas às companhias aéreas, o Ministério dos Transportes da Venezuela e o Instituto Nacional de Aeronáutica Civil (INAC) do país anunciaram na quarta-feira a decisão, que afeta a Iberia, a TAP, a Avianca, a Latam Colombia, a Turkish Airlines e a Gol.
O ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, reiterou que o Governo do país “decide quem voa e quem não voa” e “reserva-se o direito de admissão”.
“O Governo nacional, numa decisão soberana, disse às companhias aéreas: se não retomarem os voos em 48 horas, não os retomem de maneira nenhuma. Podem ficar com os vossos aviões, e nós vamos manter a nossa dignidade, e pronto, sem problemas”, declarou.
Por enquanto, a Copa Airlines, a Wingo, a Boliviana de Aviación e a Satena, bem como as companhias aéreas locais Avior e Conviasa (a empresa estatal), mantêm as suas operações no país.
Neste contexto, um avião norte-americano que transportava 175 migrantes deportados aterrou no principal aeroporto da Venezuela, o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, que serve Caracas.
Segundo fonte do Ministério dos Transportes que falou à agência de notícias espanhola EFE, isto demonstra que “não há perigo no espaço aéreo venezuelano” e, além disso, revela um “duplo padrão” por parte de Washington.
Posteriormente, o Governo venezuelano afirmou que os EUA tinham solicitado “autorizações especiais” para operar “rotas de repatriamento com aeronaves americanas”.
Entretanto, a Força Aérea dos EUA revelou na quarta-feira que os bombardeiros B-52H realizaram demonstrações de ataque esta semana nas Caraíbas. As autoridades não especificaram o local destas demonstrações, que enquadraram na operação militar “Lança do Sul”, anunciada a 14 de novembro para combater o narcotráfico originário da América Latina, três meses após o início do destacamento militar na região.
Também na quarta-feira, o Presidente dominicano, Luis Abinader, e o secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, anunciaram que os EUA vão utilizar dois aeroportos dominicanos “temporariamente” como parte da sua luta contra o narcotráfico através da “Lança do Sul”.