Ilídio Vieira Té foi nomeado esta sexta-feira o novo primeiro-ministro e ministro das Finanças da Guiné-Bissau depois do golpe de Estado que afastou do poder Sissoco Embaló na quarta-feira. O Presidente interino, o general Horta N’Tam, escolheu um homem de confiança do chefe de Estado deposto e exilado atualmente no Senegal: o anterior ministro das Finanças e diretor nacional da campanha de Embaló nas eleições gerais (legislativas e presidenciais) que decorreram no passado domingo.
Nomeado ministro das Finanças em 2022 por Sissoco Embaló, Ilídio Vieira Té assumira anteriormente o cargo de secretário de Estado do Tesouro e continuou a fazer parte do governo quando Braima Camará assumiu o cargo de primeiro-ministro em agosto de 2025, empossado pelo ex-Presidente.
A escolha do político de 42 anos, licenciado em Direito Público em Marrocos e mestre em Direitos Humanos Interculturais e Desenvolvimento em Espanha, está a ser visto por setores da oposição que consideraram o golpe de Estado uma “encenação”, como um sinal da continuidade do regime de Sissoco Embaló. “Não passou tudo de uma farsa para impedir a divulgação dos resultados eleitorais que davam a vitória a Fernando Dias da Costa”, disse ao Observador uma fonte ligada à política guineense.
Umaro Sissoco Embaló, que procurava a reeleição para mais um mandato de cinco anos, anunciou na quarta-feira que tinha sido detido e deposto por um grupo de militares liderado pelo general Horta N’Tam. O Alto Comando Mundial assumiu o poder total da Guiné-Bissau e suspendeu o processo eleitoral impedindo que as resultados oficiais das eleições de 23 de novembro fossem conhecidos.
O líder do principal partido da oposição, o histórico Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, que tinha sido excluído da corrida presidencial e declarado apoio a Fernando Dias da Costa foi detido. E apesar de esta sexta-feira ter sido dada ordem para a sua libertação, recusou-se a sair, enquanto todos os outros detidos não forem igualmente libertados.