A Catedral de Ulm, no sul da Alemanha, voltou a ter um presépio nesta quadra natalícia, encerrando uma disputa de cinco anos que dividiu a comunidade protestante local. A nova representação do nascimento do Menino Jesus substituiu o presépio expressionista de Martin Scheible, cuja figura do rei mago negro Melchior, conhecido na cidade como “o Rei do Pretzel”, desencadeou um debate sobre racismo.
De acordo com o jornal alemão Neu-Ulmer, o conflito teve início em 2020, quando visitantes e ativistas denunciaram como caricatural e ofensiva a figura de Melchior, esculpida com os lábios exagerados, uns grandes brincos dourados e, segundo alguns críticos, traços deformados. O presépio, criado na década de 1920 para a família Mößner e exibido no na igreja desde 1992 ao abrigo de um contrato que exigia a sua apresentação integral no Natal, tornou-se alvo de críticas num contexto então marcado mundialmente pelos protestos após a morte de George Floyd, em maio de 2020.
Apesar de alguns defensores do presépio recordarem que o estilo expressionista de Scheible inclui deliberadamente traços exagerados, como pastores com chapéus de cowboy ou outros elementos excêntricos, o conselho paroquial acabou por retirar as figuras mais contestadas. O conflito prolongou-se até 2023, quando o presépio foi devolvido à família Mößner por decisão unânime do conselho. No Natal seguinte, em 2024, a catedral não teve qualquer presépio, situação inédita em mais de três décadas.
A solução agora encontrada resulta de uma colaboração com o histórico clube de construtores de presépios de Söflingen, que celebrou este ano o seu centenário. O grupo instalou uma nova composição, criada em meados dos anos 90 pelo escultor Helmut Reischl, considerado um dos mais talentosos entalhadores do sul da Alemanha que morreu há cinco anos.
A versão completa da obra é mais extensa, mas na catedral estão apenas as figuras centrais: Maria, José e o Menino, acompanhados por pastores, ovelhas, os três Reis Magos e os animais que os acompanham, incluindo cavalos e dois camelos.
Com 161,5 metros de altura, a torre da Catedral de Ulm foi durante décadas a mais alta do mundo, título que manteve até outubro de 2025, quando a Sagrada Família, em Barcelona, a ultrapassou. A Torre de Jesus Cristo alcançará 172,5 metros e a Sagrada Família chegará à sua máxima altura. Passará a ser o edifício mais alto de Barcelona e o templo mais alto do mundo