Como não podia deixar de ser, a 15.ª jornada da Premier League abriu com um confronto de topo, entre duas equipas que militam nos três primeiros lugares. De um lado estava o super Arsenal que liderava o Campeonato inglês com cinco pontos de vantagem para o Manchester City, apesar de ter claudicado nos últimos jogos. Do outro o surpreendente Aston Villa que, com Unai Emery, continua a provar que é uma equipa de lugares cimeiras, seguindo um ponto atrás dos cityzens. Devido a esses fatores, o jogo do Villa Park vestia-se de tamanha importância, já que nenhum dos clubes podia perder, sob pena de permitir a aproximação dos rivais diretos.

Enquanto Mikel tiver Mikel, a vida de Viktor vai ser difícil: Arsenal vence com mais um golo do ponta de lança que não o é

“Estamos muito felizes com o nosso progresso, com a forma como estamos a competir, com a forma como estamos a conquistar pontos e com a enorme oportunidade que temos amanhã [sábado] de jogar contra o Arsenal. São a melhor equipa até agora e acho que os favoritos para ganhar esta Premier League, porque estão a ter um desempenho e a competir de forma fantástica. Amanhã será um grande teste. Estou muito feliz por ter esta oportunidade de jogar contra o Arsenal, com o nível que eles têm e com o nível que alcançámos no último mês. Jogar no Villa Park é algo que aumenta a nossa motivação, aumenta o momento emocionante que estamos a viver e, com sorte, poderemos assistir a um jogo realmente fantástico, com 90 minutos realmente emocionantes e bem jogados”, disse o timoneiro dos villans, que são o clubes que ganhou mais pontos na Premier League desde o início de março.

Do outro lado, Viktor Gyökeres continuava a ser assunto nas hostes londrinas, depois de ter perdido a titularidade para Mikel Merino, que aproveitou da melhor forma a lesão do sueco. “Merino é avançado? Penso que ele merece pelo menos que eu pense nisso, pela forma como se tem exibido e pelo impacto que tem dado à equipa. Então sim. Podem jogar juntos, até com o Viktor e com Gabi [Jesus]. Há coisas que preparámos durante o verão e que ainda não pudemos fazer. Aston Villa? Pelo que têm feito, pela forma como têm jogado e vencido jogos, são uma equipa em grande forma e sabemos disso. Conhecemos o treinador e também o trabalho incrível que tem feito. Temos noção da tarefa de amanhã, mas encaramo-la sempre como uma oportunidade. Se Emery terá motivação adicional por reencontrar o Arsenal? Não sei, mas acho que ele nunca precisa de nada extra. Só ele é bom o suficiente”, explicou Mikel Arteta.

Para este jogo, Unai Emery voltou a contar com Emiliano Martínez na baliza, depois de o argentino ter falhado o jogo com o Brighton, a meio da semana. Para lá do campeão do mundo, Youri Tielemans foi opção para o meio-campo. Com Mikel Merino como referência ofensiva e Viktor Gyökeres no banco, Mikel Arteta fez três alteração no onze do Arsenal, com Jurrien Timber a juntar-se a Piero Hincapié no centro da defesa e Bukayo Saka e Ebere Eze a regressarem aos corredores laterais, retirando Cristhian Mosquera, Gabriel Martinelli e Noni Madueke.

Como seria de esperar, o líder entrou com uma postura mais ofensiva, com o terceiro classificado na expectativa e à procura de surpreender em lances rápidos e diretos. A primeira ocasião saiu dos pés de Martin Odegaard que, na zona da meia-lua, obrigou Martínez a ir ao chão para impedir o golo (9′). Na resposta, Ollie Watkins ganhou a bola aos centrais londrinos e atirou para defesa de David Raya com o braço (10′). Pouco depois, Dibu voltou a aparecer para negar o golo a Saka (14′) e, já para lá do minuto 20, o Arsenal inaugurou o marcador, mas o lance foi anulado por fora de jogo de Eze (22′). Já na reta final do primeiro tempo, Pau Torres cruzou para a área, Timber falhou o corte e, completamente sozinho ao segundo poste, Matty Cash fuzilou as redes de Raya (36′).

Ao intervalo, Arteta lançou Gyökeres no lugar de Merino e trocou ainda Eze por Leandro Trossard e o Arsenal começou a acercar-se cada vez mais da baliza caseira com o passar do tempo. Ainda na fase inicial, Amadou Onana perdeu para Declan Rice a meio-campo, Saka recuperou, arrancou pelo meio e combinou com Odegaard, cruzando já dentro da área para o desvio certeiro de Trossard, depois de Dibu ainda ter tocado na bola (52′). Na reação ao empate, Watkins obrigou Raya a mais uma grande defesa (64′), ao passo que, já com Donyell Malen em campo, Odegaard desferiu um remate forte de longe para uma enormíssima defesa de Martínez com a ponta dos dedos (69′). Pouco depois foi a vez de Jadon Sancho e Lamare Bogarde serem lançados por Emery, que viu Mallen quase marcar, depois de um erro de Riccardo Calafiori (78′).

Para a reta final, Noni Madueke, Myles Lewis-Skelly, Gabriel Martinelli, Victor Lindelöf e Emiliano Buendía saltaram dos bancos, com Trossard a sair com um problema físico. Com o empate à vista e o Arsenal a aceitar o resultado, Madueke ainda tentou de ângulo difícil, mas a bola saiu para fora (90+3′). Na última jogada, Morgan Rogers cruzou para o segundo poste, Sancho desviou para defesa apertada de Raya e, na sequência do lance, os villans não desistiram, ganharam o ressalto e Buendía atirou forte para o 2-1 final (90+5′). Desta forma, o Arsenal perdeu pontos pela terceira vez consecutiva fora de casa e mantém-se com 33 pontos, podendo terminar o dia com apenas dois pontos de vantagem para o Manchester City. Para já, o Aston Villa é segundo a três pontos do líder (tem 30).