Um grupo de soldados do Benin protagonizou este sábado uma tentativa de golpe de Estado falhada, que foi travada pelas Forças Armadas do país. O grupo, que se autointitulou Comité Militar para a Refundação, surgiu na televisão estatal na manhã deste sábado e anunciou a retirada do Presidente do cargo, a dissolução do Governo, a suspensão de todos os partidos e o encerramento das fronteiras.
A Presidência rapidamente desmentiu as declarações, dizendo, num comunicado enviado à AFP, que se tratava de um “pequeno grupo de pessoas que apenas controla a televisão” e que a cidade e o país “estão completamente seguros”. Horas mais tarde, o ministro da Administração Interna do Benin anunciou que a tentativa de golpe tinha sido travada.
“Um pequeno grupo de soldados lançou um motim com o objetivo de desestabilizar o país e as instituições”, declarou o ministro Alassane Seidou, que acrescentou que “as Forças Armadas do Benin e a sua liderança mantiveram o controlo da situação e impediram a tentativa“.
As embaixadas de França e dos Estados Unidos em Cotonou, a maior cidade e centro económico e administrativo do Benin, deram conta de “trocas de tiros” na cidade, junto do palácio presidencial e recomendaram aos seus cidadãos que ficassem em casa até a situação estar “totalmente esclarecida”. A aparente tentativa de golpe de estado foi condenada pela União Africana e pela Comunidade Económica dos Estados Africanos Ocidentais.
The U.S. Embassy is Cotonou is monitoring reports of gunfire in Cotonou as well as unconfirmed reports of a coup by members of the military.
Actions to Take:
– Avoid the area, specifically Cotonou and areas near the presidential compound.
– Monitor local media for updates.
-… pic.twitter.com/5aBQz7m899— U.S. Embassy Cotonou (@USEmbassyBenin) December 7, 2025
Ao longo dos eventos da manhã deste sábado, não houve qualquer reação do Presidente, Patrice Talon, exceto o comunicado enviado pelo seu gabinete à AFP em que também dava conta que Talon estava a “salvo”. O Presidente está no poder desde 2016 e deveria sair após as eleições presidenciais marcadas para abril.
O candidato escolhido pelo partido de Talon, o ex-ministro das Finanças Romuald Wadagni, era dado como favorito e o candidato da oposição Renaud Agbodjo tinha sido rejeitado pela comissão eleitoral por não ter apoios suficientes. No mês passado, o país aprovou uma mudança constitucional que alargou os mandatos presidenciais de cinco para sete anos, mantendo um limite máximo de dois mandatos.
A tentativa de golpe do Benin segue-se a um outro golpe militar recente na África Ocidental: na semana passada, um grupo de militares tomou o poder na Guiné-Bissau, destituindo o Presidente Umaro Sissoco Embaló, suspendendo os resultados das eleições de 23 de novembro e empossando o general Horta Inta-A como presidente de transição por um ano.