Um grupo de soldados do Benin protagonizou este sábado uma tentativa de golpe de Estado falhada, que foi travada pelas Forças Armadas do país. O grupo, que se autointitulou Comité Militar para a Refundação, surgiu na televisão estatal na manhã deste sábado e anunciou a retirada do Presidente do cargo, a dissolução do Governo, a suspensão de todos os partidos e o encerramento das fronteiras.

A Presidência rapidamente desmentiu as declarações, dizendo, num comunicado enviado à AFP, que se tratava de um “pequeno grupo de pessoas que apenas controla a televisão” e que a cidade e o país “estão completamente seguros”. Horas mais tarde, o ministro da Administração Interna do Benin anunciou que a tentativa de golpe tinha sido travada.

“Um pequeno grupo de soldados lançou um motim com o objetivo de desestabilizar o país e as instituições”, declarou o ministro Alassane Seidou, que acrescentou que “as Forças Armadas do Benin e a sua liderança mantiveram o controlo da situação e impediram a tentativa“.

As embaixadas de França e dos Estados Unidos em Cotonou, a maior cidade e centro económico e administrativo do Benin, deram conta de “trocas de tiros” na cidade, junto do palácio presidencial e recomendaram aos seus cidadãos que ficassem em casa até a situação estar “totalmente esclarecida”. A aparente tentativa de golpe de estado foi condenada pela União Africana e pela Comunidade Económica dos Estados Africanos Ocidentais.

Ao longo dos eventos da manhã deste sábado, não houve qualquer reação do Presidente, Patrice Talon, exceto o comunicado enviado pelo seu gabinete à AFP em que também dava conta que Talon estava a “salvo”. O Presidente está no poder desde 2016 e deveria sair após as eleições presidenciais marcadas para abril.

O candidato escolhido pelo partido de Talon, o ex-ministro das Finanças Romuald Wadagni, era dado como favorito e o candidato da oposição Renaud Agbodjo tinha sido rejeitado pela comissão eleitoral por não ter apoios suficientes. No mês passado, o país aprovou uma mudança constitucional que alargou os mandatos presidenciais de cinco para sete anos, mantendo um limite máximo de dois mandatos.

Depois da vitória da oposição, chegaram os militares. Novo Presidente pode ser “instrumentalizado” por qualquer um dos lados

A tentativa de golpe do Benin segue-se a um outro golpe militar recente na África Ocidental: na semana passada, um grupo de militares tomou o poder na Guiné-Bissau, destituindo o Presidente Umaro Sissoco Embaló, suspendendo os resultados das eleições de 23 de novembro e empossando o general Horta Inta-A como presidente de transição por um ano.