Primeira possibilidade para chegar ao top 5 da Premier League, derrota caseira com o Everton mesmo tendo uma unidade a mais durante 75 minutos. Segunda possibilidade para chegar ao top 5 da Premier League, um empate na receção ao West Ham consentido nos minutos finais quando o jogo parecia controlado. Se antes Old Trafford era uma espécie de bastião daquilo que o Manchester United conseguia fazer, com triunfos que iam amparando os deslizes sucessivos fora, foi em casa que os red devils foram perdendo a possibilidade de subirem mais na classificação e permanecerem em lugares que outrora eram o “normal”. Agora, no final da 15.ª jornada e na antecâmara de mais uma série de encontros complicados com equipas mais “competitivas” na prova como Bournemouth, Aston Villa ou Newcastle, surgia mais uma janela de oportunidade.

Dalot tentou, mas o fim voltou a ser penoso: Manchester United empata com o West Ham em duelo de treinadores portugueses

“É frustrante, irritante, é isso. Agora é trabalhar novamente e tentar vencer o próximo jogo. A equipa não está a regredir, os resultados é que continuaram a regredir. Tivemos alguns momentos. Mais uma vez, isso pode acontecer quando uma equipa, como quando tivemos aquela boa série, que dizia ‘Não estamos longe de estar no momento perfeito’. Somos realmente inconsistentes. Precisamos de fazer melhor. Há segundas partes em que perdemos o controlo do jogo. Tentámos defender sempre longe da baliza porque sabíamos que teriam um jogo mais direto. Precisamos mesmo melhorar nesses aspetos”, admitira o técnico Ruben Amorim.

Nem o desastre alheio impediu um novo desastre de Ruben: Gueye foi expulso após agredir companheiro mas Everton vence United

“Às vezes são questões táticas. Tentamos ajustar com os jogadores que colocamos em campo e controlamos. Nos minutos finais, tínhamos a posse de bola, a bola estava longe do adversário, não era uma pressão total clara do adversário. Não podemos deixar uma equipa que é muito mais alta do que nós ter um canto quando a bola está com o guarda-redes. Estes detalhes fazem a diferença. Acho que todos têm a sensação de que precisamos de marcar mais golos, isso é certo. Mesmo com o Brighton, estávamos a ganhar por três a zero, de repente… Sofremos com isso. Somos inconsistentes, precisamos de melhorar”, reforçara o português, que voltou a ser alvo de várias críticas nos últimos dias, neste caso também pela não utilização de Kobbie Maino. “O que ele diz é mentira, o miúdo está arrasado porque não joga numa equipa que não consegue controlar um único jogo de futebol”, disse esta semana Paul Scholes, antigo internacional e capitão dos red devils.

Era de novo neste contexto de “pressão” que chegava o encontro fora diante do Wolverhampton, que tem sido a pior equipa da Premier League com apenas dois pontos e uma série de cinco encontros consecutivos não só a perder mas também sem conseguir marcar golos. “Tudo pode acontecer e isso vai mudar. Não existe uma equipa na história da Premier que nunca tenha vencido um jogo, pode ser qualquer um. Opções iniciais na equipa? Só quero ganhar, só tento colocar os melhores jogadores em campo. Entendo que adorem o Kobbie em Inglaterra mas isso não significa que o tenha de colocar quando sinto que não devo”, apontara.

Não acho que seja algo mental ou que os jogadores estejam a pensar ‘Vamos para o top 5’. Em alguns momentos jogamos bem, noutros mal, mas não estamos a conseguir resultados. Temos de estar preparados para lutar com eles, talvez seja algo mais tático do que físico. Temos de tentar melhorar, trabalhar bem e preparar um jogo que connosco é sempre difícil.”

Por uma noite, apesar dos facilitismos no final da primeira parte, o Manchester United teve um jogo que não foi difícil. Pelo contrário, tornou-se demasiado fácil. É certo que o Wolverhampton atravessa uma crise muito profunda e dificilmente poderá escapar à despromoção mas os red devils assumiram da melhor forma uma missão importante depois do deslize com o West Ham, golearam no jogo com mais golos marcados a par do 4-2 ao Brighton e subiram ao quinto lugar com os mesmos pontos do Chelsea (e apenas a um do Crystal Palace, que fecha os lugares de Champions). Grande figura? De forma inevitável, Bruno Fernandes: bisou, fez mais uma assistência, esteve no lance do outro golo e deu um recital de bola que voltou a mostrar a importância que tem para que nomes como Mount, Matheus Cunha, Diallo ou Casemiro sejam melhores na noite em que Luke Littler, o mais novo campeão do mundo de dardos, sorriu nas bancadas com o United.

O início do encontro mostrou que o dia da redenção do Wolverhampton ainda parece estar longe. Aliás, se alguém visse a forma como a equipa joga com bola ou em posse, dificilmente poderia dizer que ali estava uma equipa do principal escalão inglês tendo em conta que a pressão alta do Manchester United fazia com que, de forma quase invariável, se procurasse o jogo direto mas sem nexo tendo jogadores que são uma sombra do que eram como a dupla ex-Fluminense, André e Jhon Arias. Com tudo isso, a formação de Ruben Amorim só tinha de “capitalizar” mas o golo tardava, com Diogo Dalot a ter um primeiro remate com perigo ao lado (6′), Mbeumo a obrigar Sam Johnstone a uma grande defesa (8′) e alguns cantos a criarem sempre a sensação de perigo apesar da vantagem de altura da linha defensiva da casa. O encontro tinha um sentido único.

A vantagem do Manchester United chegaria antes do intervalo mas de forma polémica, com o banco da casa a ficar a pedir falta de Casemiro sobre André numa recuperação de bola em zona alta antes de Matheus Cunha assistir Bruno Fernandes que esocrregou isolado, ainda rodou depois sobre o adversário que lhe caiu em cima e rematou para o 1-0 (25′). O mais difícil estava feito, o mais fácil passou ao lado, com mais uma grande oportunidade de Mbeumo a ser cortado em cima da linha por Toti Gomes com condições para fazer melhor (29′). Ainda houve mais um remate desviado de Amad Diallo que por pouco não levou a direção da baliza mas a primeira parte terminou com o United a dar vida ao Wolves perante a incapacidade de manter essa pressão alta que condicionava por completo o adversário. Pior: mais de 500 minutos depois (540, para ser mais exato), a equipa agora comandada por Rob Edwards fez mesmo o empate, num lance de insistência na área entre muita passividade que acabou com o desvio final do haitiano Jean-Ricner Bellegarde (45+2′).

Havia dúvidas sobre a versão do Manchester United que iria aparecer no segundo tempo, tendo em conta que ainda é aquela equipa que consegue ser boa, má, muito boa e péssima no mesmo encontro. Apareceu, muito de longe, a melhor versão: a dominar por completo, a perceber os momentos do jogo, a aproveitar as fases de maior adiantamento do Wolves para explorar a profundidade, a colocar tudo a passar pelos pés de Bruno Fernandes. Resultado? Goleada: Dalot assistiu Mbeumo para fazer o 2-1 isolado na sequência de uma boa recuperação de Luke Shaw (51′), Mason Mount (que é um craque, mesmo que os números não apontem nesse sentido) aumentou para 3-1 depois de mais uma soberba assistência de Bruno Fernandes (62′), o mesmo Bruno Fernandes marcou o 4-1 de grande penalidade depois de um corte com o braço na bola (82′). Foi o resultado mais folgado da temporada mas que mesmo assim ainda acabou por pecar por escasso…