O Procurador-Geral da República (PGR), Amadeu Guerra, disse esta terça-feira que não tem “agendas”, recusando que o Ministério Público divulgue escutas ou provas para o espaço público. A propósito da Operação Influencer, Amadeu Guerra garantiu que não está satisfeito com o facto de a investigação ainda não ter produzido resultados, dois anos depois da demissão de António Costa.

“Não tenho agendas. Diz-se que o Ministério Público lança escutas ou provas, que tem agendas. Eu não tenho agendas absolutamente nenhumas”, disse o PGR aos jornalistas, em Lisboa, no âmbito de uma iniciativa relacionada com o Dia Internacional contra a Corrupção, que se assinala esta terça-feira.

Questionado sobre quando o Ministério Público terá resultados para apresentar, Amadeu Guerra disse que não pode adiantar uma data. “Não podemos fixar datas”, disse, garantindo que “nada está parado na operação Influencer” e que não está satisfeito com a demora do processo. “Não estou satisfeito, como é óbvio. Mas também já falei dos constrangimentos”, referiu o PGR.

Questionado sobre por que razão António Costa não tem acesso ao processo, Amadeu Guerra disse que “António Costa não é suspeito, não é arguido”. “Penso que será por isso. Não tenho ideia se já requereu, não tenho ideia se o processo está em segredo de justiça, não tenho bem presente os prazos”, acrescentou o PGR.

Spinumviva. Decisão sobre averiguação preventiva “para breve”

Amadeu Guerra disse ainda que uma decisão quanto à averiguação preventiva sobre o caso Spinumviva está para breve, provavelmente para antes das férias judiciais, que se iniciam a 22 de dezembro. O PGR referiu que a documentação demorou a ser entregue — o que atrasou o processo de análise.

“Esperamos em breve ter uma decisão […] São muitos volumes, há muita prova que está a ser analisada”, disse Amadeu Guerra aos jornalistas. “Os documentos já foram todos entregues, mas tardaram a ser entregues. Não os recebemos imediatamente, demorou algum até recebermos os documentos. Entretanto, meteram-se as férias judiciais pelo meio, mas isso não é desculpa. Sempre quis uma decisão rápida”, referiu Amadeu Guerra.