Vodolymyr Zelensky teve um dia importante de reuniões entre Londres e Bruxelas esta segunda-feira. Durante a tarde o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, recebeu o Presidente ucraniano para um encontro com Emmanuel Macron e Friedrich Merz na residência oficial do líder britânico, em Downing Street. Já à noite foi a vez de Zelensky reunir-se com Mark Rutte, António Costa e Ursula von der Leyen. Encontros que visam fortalecer a posição da Ucrânia face à “crescente impaciência” do presidente dos EUA, Donald Trump.
“Isto é o mais longe a que chegamos em quatro anos, e saudamos o facto de que essas negociações prossigam a todos os níveis”, disse o porta-voz de Starmer, Tom Wells, acrescentando: “Não há uma linha reta entre conflito e paz”. O “trabalho intenso” continuará nos próximos dias, embora “ainda existam questões pendentes“, acrescentou. Já o gabinete de Macron afirmou que a sessão permitiu aos líderes “continuar o trabalho conjunto sobre o plano dos EUA, a fim de o complementar com contribuições europeias, em estreita coordenação com a Ucrânia”. Contudo, Friedrich Merz foi mais longe que os seus pares e questionou as intenções dos mediadores norte-americanos, ao dizer que está “cético” em relação a “alguns detalhes dos documentos apresentados pelos EUA”.
Numa conferência de imprensa, Volodymyr Zelensky afirmou que não tem o direito de ceder territórios ucranianos para a Rússia, ao comentar possíveis pontos do acordo de paz que está em negociação. “Se consideramos ceder territórios? Não temos o direito para o fazer, pela lei ucraniana, a nossa constituição ou a lei internacional. E também não temos o direito moral de o fazer”, afirmou o Presidente ucraniano, que fala sobre a necessidade de se convocar um referendo para autorizar uma mudança no território ucraniano — o que é impossível enquanto vigorar a lei marcial.
“O que é crucial hoje é a unidade entre a Europa e a Ucrânia, bem como a unidade entre a Europa, a Ucrânia e os Estados Unidos”, reagiu Volodymyr Zelensky, horas depois, através de uma partilha no X. O Presidente ucraniano agradeceu ainda os líderes “por cada uma de suas contribuições pessoais no caminho para a conquista da paz.” “Hoje, tivemos uma discussão detalhada sobre o nosso trabalho diplomático conjunto com o lado americano, alinhámos uma posição comum sobre a importância das garantias de segurança e da reconstrução e concordámos com os próximos passos”, revelou Zelensky, sobre a reunião com os três líderes europeus.
“Também tivemos uma discussão separada sobre o aumento do apoio de defesa à Ucrânia”, revelou ainda o Presidente ucraniano, que teve uma reunião com Starmer depois de Macron e Merz deixarem Downing Street. “Sou grato aos líderes por sua disposição em apoiar nosso povo e nos ajudar no caminho para aproximar a paz.”
What is crucial today is unity between Europe and Ukraine, as well as unity between Europe, Ukraine, and the United States. I am grateful to the leaders of the United Kingdom, France, and Germany – @Keir_Starmer, @EmmanuelMacron, and @bundeskanzler – for organizing the meeting… pic.twitter.com/BWXaodhdN3
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) December 8, 2025
Depois da reunião em Londres, Zelensky seguiu para Bruxelas, onde se encontrou com Mark Rutte, António Costa e Ursula von der Leyen. No X, a presidente da Comissão Europeia destacou, antes da reunião, que o apoio a Kiev e o aumento da preparação da defesa europeia são duas prioridades fundamentais da Coligação das Vontades. “Juntamente com os nossos aliados, a Europa tem os meios e vai aumentar a pressão sobre a Rússia para que vá à mesa de negociações”, afirmou von der Leyen, que também falou sobre como o plano de emprestar os ativos congelados da Rússia à Ucrânia como um empréstimo de reparação é “complexo”, mas aumentará o custo da guerra para a Rússia. “Quanto mais Putin prolongar a sua guerra, derramar sangue, tirar vidas e destruir a infraestrutura ucraniana, maiores serão os custos para a Rússia”, disse a presidente da Comissão Europeia, que destaca ainda que os laços dentro da Europa estão “mais fortes do que nunca” e que seguirão “unidos, a apoiar a Ucrânia e a defender a Europa”.
Já depois da reunião, Zelensky destacou que as discussões focaram-se no “trabalho com os parceiros norte-americanos em direção à paz, as garantias de segurança e o fortalecimento da nossa resiliência”. O Presidente ucraniano também mencionou o PURL, o programa que permite aos países europeus comprarem equipamentos militares norte-americanos para a Ucrânia, e o “empréstimo de reparação”. “As nossas posições alinharam-se em todos os assuntos”. A agenda do Presidente ucraniano esta segunda-feira termina com uma viagem a Itália — Zelensky encontra-se na próxima terça-feira com Giorgia Meloni.
Numa conversa com repórteres no domingo à noite, Trump pareceu frustrado com Volodymyr Zelensky, alegando que o líder ucraniano “ainda não leu a proposta”. “A Rússia, acredito, concorda com ela, mas não tenho certeza se Zelensky concorda”, disse Trump em Washington. “Seu pessoal adora, mas ele não leu”, sem precisar por que motivo considera que o presidente ucraniano não leu, nem mencionar quem na Rússia concorda com o projeto que apresentou.