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A greve geral deste dia 11 de dezembro “é uma das maiores” de sempre – ou, mesmo, a “maior de sempre”, segundo Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP que apontou para uma adesão de mais de três milhões de trabalhadores (sendo que há 5,3 milhões de trabalhadores em Portugal). Já o Governo garante que a adesão está a ser “inexpressiva” e que a “grande maioria dos portugueses está a trabalhar”, sobretudo os do setor privado e do setor social. As associações empresariais afinam pela avaliação do Governo, dizendo ter tido como adesão.
Os dois relatos não podiam ser mais contraditórios. O Observador faz um ponto de situação de como os vários setores da economia terão sido afetados pela mobilização durante esta quinta-feira, até às 19 horas. A greve geral termina à meia noite e ainda terá repercussão nas primeiras horas da manhã de sexta-feira, dia em que alguns setores da administração pública têm greves marcadas.
- As lojas e “principais” centros logísticos da grande distribuição estão “a funcionar sem perturbações que coloquem em causa o abastecimento e normal funcionamento do setor”, garante a associação que representa as principais empresas do setor, a APED. A associação indica que a greve está a ter um “impacto que rondará os 2%”. A APED disse ao Observador que 19 lojas “de pequeno formato do retalho alimentar” tinham estado fechadas. A Auchan das Amoreiras, por exemplo tinha 16 dos 200 colaboradores em greve.
- Na saúde, segundo a CGTP, hospitais como o de S. João (Porto), Garcia de Orta (Almada), Braga, Viseu, Santarém, Setúbal, Covilhã e Chaves registam adesões entre 90% e 100%. Em Loures a grande maioria das alas e especialidades estão paradas (incluindo imagiologia, ginecologia e infecciologia). O SEP acrescentou níveis de adesão elevados nos vários hospitais da CUF e em várias IPSS.
No Hospital de S. José, em Lisboa, a adesão terá sido também de 100% no serviço de urgências e no Amadora-Sintra há adesão total em serviços como os de urgência obstetrícia e ginecologia.
Porém, nos “serviços de emergência pré-hospitalar do INEM estão a funcionar com total normalidade“, garante fonte oficial. “Durante o período noturno não se verificou qualquer adesão à greve (0%)” e “no período da manhã, 9 profissionais aderiram à greve, o que corresponde a uma taxa de 1,6%”, acrescenta-se.
- Nos aeroportos, segundo a ANA, o aeroporto de Faro foi o que registou o maior nível de cancelamentos de voos. Por outro lado, mais de metade dos voos previstos para o Aeroporto de Lisboa foi cancelada e, no Porto, à hora de almoço, o número de cancelamentos prévio — 123 — era ligeiramente inferior à metade dos voos previstos, que era de 265. O aeroporto de Lisboa aconselha os passageiros a verificar o estado do voo antes de se deslocar para o aeroporto. Até às 16 horas, quase 700 voos tinham sido cancelados nos nove aeroportos geridos pela ANA no continente e nas ilhas. A maior fatia destes cancelamentos foi feita antecipadamente para mitigar os efeitos da greve geral desta quinta.feira. Os dados da concessionária indicam que o número de voos cancelados no próprio dia foi reduzido.
- Também no setor dos transportes, segundo a CGTP, há uma adesão total à greve na CP e na Infraestruturas de Portugal, embora estas empresas estejam a operar com serviços mínimos, tal como a Transtejo/Soflusa — que assegura as ligações fluviais da Área Metropolitana de Lisboa.
O presidente da Transtejo Soflusa, Rui Ribeiro Rei, disse à Rádio Observador que “desde manhã cedo está a haver a oferta que estava prevista dos 25% nas travessias, estão a decorrer com normalidade“.
No entanto, a circulação do Metro de Lisboa está interrompida, sem serviços mínimos, desde as 23h00 de quarta-feira.
O Metro Sul do Tejo (MST) está a assegurar mais de 50% dos serviços normais, de acordo com informação dada por fonte oficial da empresa Metro Transportes do Sul que se reporta ao período de operação até às 10h00.
- O efeito da greve nas carreiras da Rede Expressos está a ser “residual”, segundo indicou ao Observador fonte da empresa que opera várias carreiras de longo curso de transporte rodoviário. Já a Flixbus, operadora de transporte rodoviário de longo curso refere estar a operar normalmente, “sem qualquer cancelamento de serviços até ao momento”. As oficinas da Carris, em Odivelas, estão totalmente paradas, com a circulação dos autocarros a ser feita com serviços mínimos.
- A linha de montagem da fábrica da Autoeuropa, em Palmela, está parada. “Os trabalhadores responderam à nossa chamada e disseram não ao pacote laboral, continuarão a dizer não a este pacote laboral e no turno da tarde certamente que vão responder à chamada e fazer greve aos dois turnos que faltam”, afirmou Rogério Nogueira, da Comissão de Trabalhadores da fabricante automóvel.
- Dezenas de serviços de recolha de lixo estão, também, encerrados, nomeadamente o das Câmaras Municipais de Setúbal, Palmela, Lisboa, Moita, Amadora, Évora e Viana do Castelo. Em inúmeros outros municípios a adesão à greve será superior a 50%.
- Na banca, se um sindicato fala em “agências fechadas” e serviços centrais “basicamente às moscas”, um dos principais bancos a operar em Portugal – o Santander – garante que está a “operar com normalidade” e que a mobilização está a ter um “impacto mínimo na atividade do banco”. A reportagem do Observador não encontrou sucursais bancárias fechadas.
- Na comunicação social, o jornal Público diz em nota da direção editorial, publicada nesta quinta-feira, que está a ter uma “elevada adesão dos trabalhadores” à greve geral e que esta “inevitavelmente” irá ter impacto tanto na edição online como na edição impressa do jornal que irá para as bancas na sexta-feira. Por outro lado, a agência Lusa tem o serviço noticioso interrompido desde as 00h01 desta quinta-feira.
- A CIP – Confederação Empresarial de Portugal indica que as diferentes associações empresariais contabilizam entre 2% e 5% as faltas de trabalhadores nos diferentes setores económicos. A maior parte, diz, estará entre 2% e 3%. As faltas, indica ainda em comunicado, “devem-se mais a dificuldades com os transportes públicos, e ao encerramento de escolas, do que a adesões à greve geral”. Em comunicado, garantiu que “não há empresas paradas no país”.
- No setor do calçado, estimou um impacto da greve inferior a 1%, com a exceção de “duas empresas de capital estrangeiro que registaram taxas de adesão entre os 40% e 50%”. E a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal indica, ainda, que “98% das empresas tiveram zero adesões à greve”. Nas restantes 2%, “as taxas de adesão variam entre 5 e 10% dos trabalhadores”.
- A Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), depois de contacto com três centenas de empresas associadas, refere, em comunicado, que “o grau de adesão à greve nas empresas filiadas foi pouco mais do que residual”. Indica “menos de 2% do total dos trabalhadores ao serviço nas empresas em causa”. Também a associação fala de greve “inexpressiva”. Até porque dá conta de ter indicação de que há empresas em que não houve uma “única adesão”. Rafael Campos Pereira, vice-presidente executivo da AIMMAP, diz, citado no comunicado, que “não houve qualquer adesão à paralisação em mais de 95% das empresas do Metal Portugal. Inclusivamente, pode sublinhar-se que o número de empresas sem adesões foi até superior ao habitual em greves anteriores”.