Os tempos em que cada construtor desenvolvia e fabricava os seus próprios modelos, assentes em tecnologias apuradas pelos técnicos da casa, já lá vão há muito. O último exemplo chega-nos pela mão da Ford, um construtor com uma história notável, ou não tivesse inventado a produção em série de automóveis com o Ford T. Ainda hoje, a Ford é a marca americana que mais vende, mas abriu mão de ser uma referência na Europa e, agora, vê-se na situação de ter que adquirir a um concorrente a tecnologia de que necessita para regressar em força ao Velho Continente.

Eléctrico da Ford com base do Volkswagen ID.5 chega em Março

Ford e Renault anunciaram esta semana um acordo para o segundo fornecer ao primeiro a base que lhe permita oferecer os próximos dois modelos eléctricos de que precisa como pão para a boca, se quer ter uma presença relevante no mercado europeu. Os veículos em causa, de acordo com a imprensa britânica, serão o Fiesta EV e, provavelmente, o Puma EV, uma vez que, dos dois modelos eléctricos referidos, um deverá ser um SUV ou, no limite, um crossover.

Para que a Ford consiga rapidamente lançar os seus dois eléctricos, a Renault vai ceder-lhe a sua plataforma AmpR Small, a mesma que serve de base ao R5, R4 e até ao Twingo eléctricos. Isto permite à marca fazer um fast forward tecnológico, de forma a que o primeiro destes dois Ford a bateria chegue ao mercado ainda em 2028, com o segundo a ser esperado pouco depois. É claro que, para que isso aconteça, a Renault vai ter de fornecer igualmente o software, os motores, as baterias e todo o sistema de gestão eléctrica, um pouco à semelhança do que fez com o Micra EV da Nissan.

Este aperto de mão vale milhões. VW e Ford unem-se

A Ford afirma que o Fiesta EV não será um rebagde do R5, na medida em que será desenhado pelos estilistas da casa e exibirá características distintivas do gigante americano, além de oferecer uma sensação ao volante típica da marca. Porém, a realidade é que os dois Ford EV serão produzidos em França, mais especificamente na ElectriCity, em Douai, na fábrica da Renault.

De recordar que esta não é a primeira vez que a Ford negoceia com um concorrente a aquisição de tecnologia, uma vez que os eléctricos Explorer e Capri têm como base modelos como os VW ID.4 e a plataforma MEB. Só que este negócio com os alemães teve como contrapartida não um pagamento, mas sim uma troca, uma vez que a Ford cedeu à VW a base para a nova pick-up Amarok (herdada da Ranger), bem como para os furgões comerciais (herdados da Transit).