Liam Neeson está a ser o protagonista de uma polémica relacionada com o facto de ter aceitado participar num documentário cético da indústria farmacêutica e dos processos de vacinação, obrigando a equipa que o representa a emitir um comunicado que refuta acusações de negacionismo e de postura anti-vacinas.

Em causa está o facto do ator norte-irlandês de 73 anos narrar o documentário Plague of Corruption: 80 Years of Pharmaceutical Corruption Exposed, cujo o nome em português se traduz para “Praga de Corrupção: 80 anos de corrupção farmacêutica expostos”.

Este filme, escreve a Rolling Stone, diz tratar-se de “uma investigação explosiva sobre como as gigantes farmacêuticas capturaram sistematicamente governos e enganaram famílias e comunidades em todo o mundo”, sendo adaptado de um livro do mesmo nome adaptado por Judy Mikovits e Kent Heckenlively.

Mikovits, uma investigadora desacreditada pela comunidade científica e que se tornou numa ativista anti-vacinas, ganhou especial notoriedade durante a pandemia por espalhar desinformação. Já Heckenlively é uma importante figura do movimento que defende a tese falsa de que as vacinas causam autismo e têm-se aliado a figuras como Alex Jones para promover teorias da conspiração.

Não tendo sido responsável pelo guião, é da voz de Neeson que se ouve ao longo do documentário que as vacinas de mRNA contra a COVID foram “experiências perigosas” lançadas “no mercado à pressa” e cujos responsáveis “continuam a fugir às suas responsabilidades”. Além disso, são também proferidas críticas à política dos confinamentos, afirmando que “milhares de vidas foram perdidas, não devido ao vírus, mas à angústia mental provocada por estas restrições severas”.

Na narração do ator norte-irlandês é referido ainda que a indústria farmacêutica e as autoridades de saúde exigem hoje “submissão incondicional às nossas instituições públicas” e que “a ciência tornou-se perigosamente politizada”. O filme, avança o The Guardian, insiste na tese de que as vacinas causam autismo, algo que a Organização Mundial da Saúde voltou a desmentir num relatório publicado esta quinta-feira.

O documentário tem ainda especial enfoque na figura de Robert F. Kennedy Jr., o secretário da Saúde dos EUA conhecido pelo seu longo historial de posições anti-vacinas e da promoção de teorias da conspiração relacionadas com a saúde. RFK Jr. é, aliás, descrito na sinopse como alguém com “a coragem incansável em desafiar a corrupção institucional e defender a liberdade médica” e que  “desencadeou um movimento mundial pela verdade, mobilizando milhões de pessoas em todo o mundo”.

A participação de Neeson levou a acusações de que o ator subscrevia as posições defendidas no documentário, o que motivou um comunicado público da parte da sua equipa de representação, negando em particular que o seu cliente alguma vez tenha sido anti-vacinas.

“Todos reconhecemos que pode existir corrupção na indústria farmacêutica, mas isso nunca deve ser confundido com oposição às vacinas. Liam nunca foi, nem é, contra a vacinação. O seu extenso trabalho com a Unicef sublinha o seu apoio de longa data à imunização global e às iniciativas de saúde pública. Ele não influenciou o conteúdo editorial do filme, e quaisquer perguntas sobre as suas afirmações ou mensagens devem ser dirigidas aos produtores”, lê-se na nota.

A referência à Unicef está relacionada com o facto de, por exemplo, em 2022, ter manifestado o seu apoio às campanhas de vacinação levadas a cabo pela organização, da qual é embaixador global. “A conversa sobre as vacinas nos últimos anos perdeu de vista o quanto elas têm feito de bom por cada um de nós. Precisamos de celebrar isso. É talvez uma das maiores conquistas coletivas da história da humanidade”, afirmou.