Cinco organizações apelaram esta segunda-feira à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, para ser disponibilizada aos adultos a vacina contra o herpes zoster, vulgarmente conhecido como zona, alegando que a proteção existe apenas para quem a pode pagar.

Numa carta aberta dirigida à tutela, as associações que representam pessoas com doença exigem o fim do que consideram uma situação de “iniquidade inaceitável” no acesso à prevenção do vírus.

“A Comissão Técnica de Vacinação da Direção-Geral da Saúde recomendou, ainda em 2024, a inclusão da vacina contra o herpes zoster no Programa Nacional de Vacinação (PNV) para grupos de risco prioritários, após avaliação da evidência científica disponível. Mais de dois anos depois, essa recomendação continua sem tradução numa decisão política”, escreveram as associações no texto hoje divulgado.

Os subscritores lembraram que o herpes zoster pode provocar dor intensa e incapacitante durante meses ou mesmo anos, afetando de forma particularmente gravosa pessoas que vivem com doença crónica, imunossupressão ou idade avançada.

“Para muitos doentes, a doença significa perda de autonomia, isolamento e deterioração significativa da qualidade de vida“, sublinharam.

Em junho de 2025, acrescentaram, o Governo identificou a criação de um Programa Nacional de Vacinação do Adulto como prioridade estratégica para promover um envelhecimento ativo e saudável, mas, mais de um ano depois, nem esse programa foi concretizado, nem a vacina contra o herpes zoster integrou o PNV.

“A cada mês que passa sem decisão, há portugueses que adoecem, sofrem complicações evitáveis e ficam sem acesso a uma proteção que o próprio Estado reconhece como benéfica”, alertaram.

De acordo com as organizações, a vacina está disponível em Portugal há vários anos, mas apenas para quem consegue suportar o respetivo custo, situação que consideram incompatível com os princípios de equidade do Serviço Nacional de Saúde.

A carta é subscrita pela Associação Nacional dos Doentes com Artrite Reumatoide, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, pela Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, pelo Grupo de Ativistas em Tratamentos e pelo Movimento Doentes Pela Vacinação.

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