Este domingo, a Extremadura ficou pintada de azul. O Partido Popular (PP) venceu as eleições da região e deverá manter-se no poder, mas a noite eleitoral ficou marcada pela queda histórica dos socialistas e pelo duplicar dos votos da extrema-direita. O PSOE perdeu 10 mandatos na assembleia regional, enquanto o Vox viu um aumento de seis deputados na sua bancada. Agora, o PP depende do partido de Santiago Abascal para governar, depois de terem derrubado a coligação que levou às eleições antecipadas deste ano.
“O bom senso prevaleceu e o PP é a força política dominante na nossa região”, abriu María Guardiola o seu discurso de vitória este domingo. “Pedimos mais confiança, e recebemos muito mais confiança”, continuou, sublinhando a diferença histórica de representantes entre o PP e o PSOE. Com as contagens terminadas, o Partido Popular conseguiu eleger 29 deputados regionais, mais 11 que os socialistas, com o Vox a surgir em terceiro com 11. Guardiola, a presidente reeleita, falhou, no entanto, na sua missão de conseguir uma maioria absoluta na assembleia, por apenas quatro representantes.
A vitória nas urnas é clara. Mas, na verdade, o PP elegeu apenas mais um deputado comparativamente às últimas eleições de 2023, recebendo menos 10.000 votos no total. Ao contrário daquilo que desejava quando convocou eleições em outubro, após o chumbo do Orçamento regional, María Guardiola terá de começar a sua semana a tentar formar governo e conversar novamente com o Vox para arranjar uma solução, tendo já pedido ao líder nacional do partido de extrema-direita espanhol, Santiago Abascal, para que “reflita” sobre os resultados, de acordo com o El Diario.
Passando de 5 deputados para 11 nestes últimos dois anos, o responsável regional pelo Vox, Óscar Fernández, garantiu que não vai facilitar as negociações com Guardiola e que vai “defender os votos” que recebeu “com unhas e dentes”. “A Extremadura disse alto e em bom som que quer mais Vox. E a Extremadura vai tê-lo”, assegurou. Já Santiago Abascal, poucos minutos após as declarações de Fernández, avisou que o PP terá de “respeitar os eleitores” e o seu sentido de voto.
O líder nacional da extrema-direita foi o político que passou mais tempo na região em tempo de campanha. Abascal, no seu discurso de vitória, acusou María Guardiola de ter “contribuído para a demonização do Vox” e que, se a presidente desejar formar um governo, terá três opções: “ultrapassar os obstáculos”, “convocar novas eleições” ou “pedir ajuda” ao PSOE, cita o El Diario.
Na noite eleitoral, o candidato socialista, Miguel Ángel Gallardo, assumiu que o resultado do partido na Extremadura “foi muito mau”. A região era considerada um bastião do PSOE há mais de 30 anos, mas o presidente da concelhia regional descartou a possibilidade de se demitir do cargo após a derrota histórica. Convocou, no entanto, uma reunião entre os quadros mais altos do partido para esta segunda-feira, onde irão analisar os resultados obtidos e avaliar os passos a tomar. “O meu futuro é a menor das minhas preocupações”, acrescenta.
Ángel Gallardo vai ser julgado no caso de tráfico influências do irmão do primeiro-ministro, David Sánchez, por ter avançado com a sua contratação enquanto presidente do conselho provincial de Badajoz, mas afastou que o seu envolvimento neste caso mediático tenha sido o motivo da queda do PSOE na região. O resultado negativo não se deve “apenas a um motivo”, indicou. Já o chefe do Governo, Pedro Sánchez, saúdou a vencedora María Guardiola, e elogiou o “ótimo trabalho” do candidato socialista. “O nosso partido será sempre garante dos serviços públicos, da igualdade e do progresso”, sublinhou na rede social X.
Enhorabuena a @MGuardiolaM por su resultado en las elecciones de Extremadura.
Felicidades a @magallardomir por el gran trabajo realizado y gracias a quienes han confiado en el @psoeex.
Nuestro partido será siempre garante de los servicios públicos, la igualdad y el progreso.
— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) December 21, 2025