Ia ser sempre um encontro complicado. Pelas ausências, pelas lesões, pelo contexto depois do triunfo em São Miguel com o Santa Clara, também pela semana complicada que Iván Fresneda teve depois de perder um familiar mas querer ir a jogo. Mais uma vez, à semelhança do que aconteceu em vários momentos na última época, o melhor Sporting emergiu entre as dificuldades, transformando crises em oportunidades e quebrando aquele que era o registo mais recente em encontros disputados no Dom Afonso Henriques, com uma derrota na temporada de 2023/24 e um eletrizante empate a quatro no último ano já com Rui Borges.

O toque de Midas de Francisco entre as lágrimas de Iván (a crónica do V. Guimarães-Sporting)

Ainda assim, entre a goleada por 4-1 com golos de Francisco Trincão, Fotis Ioannidis, Juan Castillo (p.b.) e Maxi Araújo, houve uma “regra” que se manteve: o Sporting marcou pelo segundo ano consecutivo quatro golos em Guimarães, num registo com dois ou mais golos nas últimas sete deslocações à Cidade Berço. Como destaca o Playmakerstats, minhotos e leões marcaram 24 golos nas últimas cinco épocas.

Com esse triunfo antes do Natal, e chegados à 15.ª jornada, Rui Borges mantém números muito interessantes na primeira temporada desde início em Alvalade: chegou às sete vitórias e um empate (na Luz) nos oito jogos fora no Campeonato de 2025/26, continua sem consentir qualquer derrota fora na prova desde que assumiu o comando dos leões há um ano (17 jogos) e teve o sétimo encontro com quatro ou mais golos da temporada, com um total de 11 encontros em que marcou pelo menos três golos. Tudo isso potencia um registo coletivo ao nível dos últimos títulos: o Sporting tem mais um ponto do que nas últimas duas épocas em que se sagrou campeão, com menos um golo marcado e menos dois sofridos do que em 2024/25.

“Foi uma boa vitória, uma grande vitória, numa primeira parte com muita qualidade e exigência. Estivemos bem a tentar travar transições, sabíamos que o Vitória poderia jogar com uma referência na frente, no jogo aéreo, bolas mais longas. Estivemos sempre ligados e com bola tivemos sempre muita qualidade. O segundo golo é uma jogada extraordinária e isso dita bem a qualidade da primeira parte. Chegámos ao intervalo a vencer justamente. Na segunda parte, o Vitória a jogar em sua casa entra no jogo e claro que o estádio empurra a equipa em alguns momentos. Depois fomos controlando. O Vitória à procura de muito cruzamento, o Telmo [Arcanjo] entrou bem à procura das referências na área… E depois sim, acabámos por fazer o 3-1 com uma infelicidade do adversário mas o resultado é claramente justo. Acho que o 4-1 não sofre qualquer contestação”, começou por apontar Rui Borges, em declarações na flash interview da SportTV.

“Ausências? Todos deram uma grande resposta. Não tinha dúvidas disso. Hoje ouvi em qualquer lado que era um Sporting diminuído… O Sporting diminuído foi bicampeão a época passada e hoje voltou a mostrar isso. Não me canso de elogiar o grupo, não há palavras para o descrever. É fora do normal, é mesmo extraordinário. A amizade, o querer ganhar cada vez mais. Deram uma grande demonstração de caráter. Apoio ao Rui depois do golo? Faz parte, eles sabem que todos vão falhar. E quando falharem, o treinador vai assumir qualquer erro. Seja de quem for, não há problema nenhum. Digo para terem muita paixão no que fazem, para gostarem do que fazem, e não me admira a amizade demonstrada para com o Rui. Já nos deu muito, vai continuar a dar, e não é por uma infelicidade que vai deixar de ser muito importante”, destacou.

Por fim, Rui Borges falou também da caminhada quase 100% vitoriosa do FC Porto. “O Sporting tem de agarrar-se a ele próprio. Temos de fazer a nossa parte e não adianta olhar para os outros, que também têm mérito no que fazem. Concentramo-nos no que controlamos e é aí que temos de nos focar. Não olhamos para qualquer outra equipa, olhamos para a nossa casa e para o que podemos fazer. Quero dedicar a vitória ao Iván, que teve a infelicidade do falecimento de um familiar. Quis ficar, ajudar, disse que precisava de estar. Fez um grande jogo e a vitória é dedicada a ele”, concluiu o treinador da formação verde e branca.

Também Francisco Trincão, que foi eleito o MVP da Liga, destacou a exibição coletiva do Sporting entre uma palavra de apoio a Iván Fresneda. “Os golos são sempre importantes e é sempre bom ajudar a equipa, seja com golos ou assistências. Mas feliz acima de tudo pela vitória, pelo apoio dos adeptos, que tem sido incrível. Foi uma vitória no acreditar. Sabíamos que ia ser um jogo difícil contra uma grande equipa mas soubemos ter a bola, acho que jogámos bastante bem, principalmente na primeira parte. Fizemos os nossos golos nas nossas oportunidades. Isso também ajuda sempre. E soubemos acreditar, sofrer até ao fim, que também faz parte. Apoio ao Rui? Sim, claro. Sabemos que somos um grupo, que estamos unidos. Ainda por cima queria dedicar isto ao Iván [Fresneda] porque teve uma semana muito difícil. Quero dedicar-lhe o prémio. Estamos todos unidos, somos um grupo. Um erra hoje e amanhã erra outro. Isso é futebol, mas sabíamos que ia ser um momento difícil. Soubemos ser família, que é o mais importante”, salientou.