Pouco mais de um mês depois de ter revelado o diagnóstico de um cancro agressivo, Tatiana Schlossberg, neta do ex-Presidente norte-americano John F. Kennedy, morreu. Escritora e jornalista especializada em questões ambientais, tinha 35 anos e veio reavivar o que a imprensa dos Estados Unidos da América há anos chama de “maldição Kennedy”. Aliás, Tatiana, quando em novembro último revelou num artigo publicado na The New Yorker que tinha uma leucemia mieloide aguda, lamentou: “Acrescentei uma nova tragédia à família”, marcada por assassinatos, trágicos acidentes e mortes precoces.
No texto na prestigiada revista dos Estados Unidos a jornalist, adiantava ainda que lhe tinha sido dado apenas um ano de vida.
“A nossa querida Tatiana morreu esta manhã. Ela estará sempre nos nossos corações”. A notícia da morte da filha da diplomata Caroline Kennedy e do designer Edwin Schlossberg foi dada pela família numa publicação nas redes sociais da Fundação Biblioteca John F. Kennedy, assinada pelo marido, pelos dois filhos, pelos irmãos e pelos pais.
Tatiana Schlossberg foi diagnosticada em maio no ano passado após exames revelarem uma contagem de glóbulos brancos muito baixa, descreveu no artigo na The New Yorker em que relatava a sua batalha contra este cancro do sangue e da medula óssea, uma rara mutação genética que em geral se manifesta em pessoas mais velhas.
Após tomar consciência da gravidade da doença, Schlossberg enfrentou um longo período de tratamentos intensivos — várias sessões de quimioterapia e dois transplantes de medula, além de participar em vários ensaios clínicos — agradecendo principalmente aos pais e aos irmãos pelo apoio durante o processo.
“Seguraram a minha mão com firmeza enquanto eu sofria, tentando não demonstrar a sua dor e tristeza para me proteger. Isto tem sido um grande presente, mesmo que eu sinta a dor deles todos os dias“, escreveu. “Durante toda a minha vida tentei ser uma boa pessoa, uma boa aluna, uma boa irmã, uma boa filha e proteger a minha mãe, nunca a deixando perturbada ou irritada. Agora, acrescentei uma nova tragédia à vida dela, à vida da nossa família, e não há nada que eu possa fazer para o impedir”, escreveu.
Uma “maldição” de família?
O termo “Maldição Kennedy” ganhou destaque após o assassinato do avô de Tatiana, o 35º presidente dos EUA, John F. Kennedy, em 1963. Anos mais tarde, o seu irmão, Robert F. Kennedy, foi assassinado durante a sua campanha presidencial em 1968. Ambos candidataram-se pelo Partido Democrata.
No ano seguinte, Ted Kennedy, o irmão mais novo, teve um acidente aéreo em 1964 que matou outras duas pessoas e um outro de carro em 1969: o automóvel caiu de uma ponte numa lagoa. Sobreviveu, mas a estratega da campanha morreu afogada.
Anos antes, Joseph P. Kennedy Jr., o irmão mais velho de JFK, tinha morrido em 1944, aos 29 anos, na Segunda Guerra Mundial, num acidente aéreo em que a aeronave explodiu numa missão no Canal da Mancha. Quatro anos depois era a vez da irmã, Kathleen Kennedy, morrer também num acidente de avião, sendo que o marido tinha sido morto em combate na Segunda Guerra.
Mais recentemente, John F. Kennedy Jr., filho do ex-Presidente, morreu em 1999, com 38 anos, num acidente de avião com a esposa e a cunhada. Não foi o único filho de JFK a morrer prematuramente. Arabella morreu durante o parto e o irmão Patrick morreu dois dias depois de nascer, com doença pulmonar.
Na lista de perdas prematuras de outros membros desta influente família da política norte-americana consta ainda, no século passado, David Anthony Kennedy, filho de Robert, aos 28 anos, (1984), o irmão Michael Kennedy com 39 anos, ao bater numa árvore enquanto esquiava (1997). E já no século XXI, morreram duas netas de Robert: Saoirse Kennedy Hill, com 22 anos, numa overdose (2019) e Maeve Kennedy Townsend McKean com o filho Gideon (2020) afogados na baía de Chesapeake.
Tatiana Schlossberg é agora o mais recente membro da família Kennedy a morrer, deixando para trás o marido, George Moran, e dois filhos pequenos.
Texto editado por Dulce Neto