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CTT suspenderam pagamento do subsídio de mobilidade até publicação da nova portaria, anunciou o Governo da Madeira PS e Chega já reagiram

Este artigo tem mais de 6 meses

A suspensão do pagamento desde 1 de janeiro de 2026, à espera do novo enquadramento legal cuja publicação estava prevista para o mesmo dia, deve-se a “diretrizes externas”, a que "a empresa é alheia".

Chegaram esta noite ao Aeroporto Internacional da Madeira num avião C130 da Força Aérea Portuguesa (FAP) três doentes dos cuidados intensivos de hospitais de Lisboa para o hospital Nélio Mendonça, Santa Cruz, Madeira, 29 de janeiro de 2021. Na quinta-feira, o presidente do Governo da Madeira manifestou a "disponibilidade total" da região para receber doentes com covid-19 do continente, na sequência da "sobrecarga" que se verifica nos hospitais de Portugal continental. HOMEM DE GOUVEIA/LUSA
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▲"A situação aguarda resolução com a publicação, a qualquer momento, da legislação necessária por parte do Governo da República, condição indispensável para o restabelecimento pleno do regime do subsídio social de mobilidade", refere o Governo regional

HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

▲"A situação aguarda resolução com a publicação, a qualquer momento, da legislação necessária por parte do Governo da República, condição indispensável para o restabelecimento pleno do regime do subsídio social de mobilidade", refere o Governo regional

HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Os CTT suspenderam o pagamento do subsídio social de mobilidade desde quinta-feira, enquanto aguardam a publicação da nova portaria nacional, informou o Governo da Madeira, garantindo que será retomado quando o novo quadro legal entrar em vigor.

“O pagamento do subsídio social de mobilidade (SSM) encontra-se, desde 1 de janeiro de 2026, suspenso pelos CTT, aguardando a publicação de portarias nacionais“, refere a Secretaria Regional do Turismo, Ambiente e Cultura em comunicado esta sexta-feira divulgado.

A secretaria liderada Eduardo Jesus esclarece que, apesar desta situação, o pagamento do SSM relativo a todos os bilhetes emitidos até à data de publicação da nova portaria continuará a seguir as regras atualmente em vigor, retomando-se os pagamentos nas estações dos CTT assim que publicado o novo quadro legal.

O executivo madeirense (PSD/CDS-PP) explica que nos termos do Decreto-Lei n.º 37-A/2025, de 24 de março, o pagamento do SSM era assegurado ao abrigo de uma norma transitória prevista no artigo 23.º do diploma.

Essa disposição permitia que até à disponibilização da plataforma eletrónica, prevista na lei para processar o SSM, o pagamento fosse efetuado pela entidade anteriormente designada no âmbito do modelo anterior do subsídio, ou seja, os CTT.

“Contudo, o mesmo artigo estabelecia expressamente que a vigência desse regime transitório cessaria a 31 de dezembro de 2025, ou em data anterior caso fosse revogado”, refere a Secretaria do Turismo, Ambiente e Cultura, explicando que, não tendo sido publicada até essa data a atualização do enquadramento legal, o pagamento do subsídio social de mobilidade encontra-se suspenso desde 1 de janeiro de 2026.

“Encontra-se, assim, por publicar, por parte do Governo da República, o decreto-lei que procede à atualização do Decreto-Lei n.º 37-A/2025, de 24 de março; a portaria que altera e atualiza a Portaria n.º 138/2025/1, de 28 de março, nomeadamente no que respeita às regras de pagamento do SSM e a portaria que regula o funcionamento da plataforma eletrónica prevista na legislação”, precisa o executivo madeirense.

No comunicado, o Governo Regional, liderado pelo social-democrata Miguel Albuquerque, lembra que foi chamado a pronunciar-se em várias fases do processo legislativo, tendo emitido vários pareceres que, garante, foram remetidos dentro dos prazos solicitados.

Até à entrada em vigor do novo enquadramento legal, cuja publicação estava prevista para o dia 1 de janeiro, encontra-se também suspensa a submissão de pedidos de subsídio social de mobilidade ao abrigo do Programa Estudante Insular, criado pelo executivo regional.

“A situação aguarda resolução com a publicação, a qualquer momento, da legislação necessária por parte do Governo da República, condição indispensável para o restabelecimento pleno do regime do subsídio social de mobilidade”, refere no comunicado.

O SSM garante passagens aéreas entre a Madeira e continente (ida e volta) a 79 euros para residentes e 59 euros para estudantes, mas implica o pagamento do bilhete na totalidade, até ao teto máximo de 400 euros, valor que por vezes é ultrapassado pelas companhias, sendo que o reembolso é processado após a viagem.

Já o Programa Estudante Insular assegura quatro viagens de ida e volta ou oito separadas por ano para jovens que estudam no continente ou nos Açores pelo valor facial do subsídio — 59 euros —, ficando o Governo Regional responsável pelo remanescente, até ao teto máximo de 400 euros nas deslocações para o continente e 600 euros para os Açores.

O novo quadro legal prevê a entrada em funcionamento de uma plataforma eletrónica em 7 de janeiro, para processar o reembolso do subsídio de mobilidade na Madeira e nos Açores, conforme anunciou o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, em 25 de novembro de 2025, assegurando que a devolução ocorrerá em apenas dois dias.

“Vai funcionar, numa primeira parte, ainda com o apoio dos CTT. Depois, o Governo quer, passados seis meses, tomar posse completa dessa plataforma, através do Ministério das Finanças, sermos completamente autónomos na gestão dessa plataforma”, afirmou no decurso de uma visita à Madeira.

O novo regime do SSM gerou polémica por condicionar o acesso à ausência de dívidas à Segurança Social e à Autoridade Tributária.

O executivo madeirense protestou, afirmando não encontrar “qualquer fundamento legal” para fazer depender o pagamento do reembolso à regularidade da situação contributiva e tributária do beneficiário, mas não indicou se a portaria seria alterada nesse ponto.

CTT garantem que suspensão do subsídio de mobilidade se deve a “diretrizes externas”

Os CTT informaram esta sexta-feira que a interrupção do pagamento do Subsídio Social de Mobilidade (SSM) em todas as lojas se deveu a “diretrizes externas” a que a empresa é alheia, lamentando os transtornos causados aos passageiros.

Fonte oficial dos CTT confirmou à agência Lusa que o serviço de reembolso do SSM se “encontra temporariamente suspenso em toda a rede de lojas” por “motivos alheios à empresa”.

“Esta interrupção deve-se a diretrizes externas que os CTT, enquanto entidade prestadora do serviço de pagamento, devem cumprir, aguardando-se agora novas instruções por parte das entidades competentes para a retoma do processo”, lê-se na resposta por escrito.

Os CTT lamentam os transtornos causados e mostram disponibilidade para retomar o serviço quando as condições forem “restabelecidas pelo detentor do serviço”, o que poderá acontecer “brevemente”.

“Os CTT lamentam os transtornos causados aos passageiros beneficiários e reiteram o seu compromisso em normalizar o atendimento assim que as condições para o efeito forem restabelecidas pelo Detentor do Serviço, o que estimamos que possa ocorrer brevemente”, justificou fonte oficial da empresa.

Os balcões dos CTT nos Açores e na Madeira apresentaram esta sexta-feira a indicação aos clientes de que o serviço de reembolso do SSM se encontra temporariamente indisponível.

Os CTT suspenderam o pagamento do subsídio social de mobilidade desde quinta-feira, enquanto aguardam a publicação da nova portaria nacional, informou o Governo da Madeira, garantindo que será retomado quando o novo quadro legal entrar em vigor.

“O pagamento do subsídio social de mobilidade (SSM) encontra-se, desde 1 de janeiro de 2026, suspenso pelos CTT, aguardando a publicação de portarias nacionais”, refere a Secretaria Regional do Turismo, Ambiente e Cultura em comunicado esta sexta-feira divulgado.

Contactado pela agência Lusa, fonte oficial da secretaria do Turismo, Mobilidade e Transportes disse que o Governo dos Açores não pretendia reagir.

O Governo da República quer alterar os critérios de elegibilidade do SSM para que o apoio só seja pago a quem não tenha dívidas à Segurança Social e Autoridade Tributária.

Em 17 de dezembro, o Conselho de Ministros aprovou uma alteração ao decreto-lei que define um novo modelo para a atribuição do SSM, de forma a assegurar a “não interrupção do serviço de atribuição do subsídio após a entrada em funcionamento da plataforma eletrónica”, segundo o comunicado do Governo.

Partido Socialista e Chega alertam para suspensão do subsídio de mobilidade nos Açores

O PS e o Chega dos Açores alertaram esta sexta-feira para a suspensão do reembolso do Subsídio Social de Mobilidade (SSM) por parte dos CTT na região e acusaram o Governo da República de desrespeito pelos açorianos.

“Como se fôssemos adjacentes ao país ou uma colónia, o Governo de Portugal ‘manda’ os CTT deixarem de pagar o Subsídio Social de Mobilidade aos açorianos residentes”, denunciou o líder do PS nos Açores, Francisco César, numa publicação nas redes sociais.

Os balcões dos CTT nos Açores e na Madeira apresentaram esta sexta-feira a indicação aos clientes de que o serviço de reembolso do SSM se encontra temporariamente indisponível.

Na publicação, Francisco César defendeu que o Governo da República “já habitou” os açorianos à “falta de consideração”, insistindo nas críticas às alterações ao subsídio devido à obrigatoriedade de os beneficiários terem a situação fiscal regularizada.

“Mesmo que seja por pouco tempo a suspensão dos reembolsos, calculo que até à entrada em funcionamento da nova plataforma de reembolsos, isto não se faz assim. Avisa-se a população, planeia-se com antecedência o processo e criam-se alternativas. Nada disto foi feito, como de costume, e (…) o povo açoriano se amanhe”, acrescentou o líder do PS/Açores.

O também deputado na Assembleia da República, eleito pelos Açores, lembrou que o partido já requereu a audição do secretário de Estado das Infraestruturas e sugeriu um modelo de subsídio idêntico ao das Canárias, em Espanha.

“A solução, de uma vez por todas, a meu ver, é o modelo das Canárias, aceite pela Ryanair, EasyJet e Binter. O passageiro paga 25% do custo da passagem, no ato da compra, e o Estado acerta contas posteriormente com as companhias aéreas”, defendeu Francisco César.

Também o Chega/Açores, nas redes sociais, acusou o primeiro-ministro Luís Montenegro de “andar a gozar com os açorianos” e considerou tratar-se, não de “incompetência”, mas de “desprezo político puro”.

“O ano começa da pior forma para os açorianos: com mais uma “prenda” envenenada de Montenegro e do Governo da República. Depois de anos a complicar o subsídio de mobilidade, um direito que existe para compensar a insularidade, o Governo vai ainda mais longe e decide suspender o apoio, deixando milhares de açorianos pendurados”, lê-se na publicação.

O Chega/Açores, liderado por José Pacheco, criticou a República por “criar burocracia, impor obstáculos e tratar os açorianos como portugueses de segunda”.

“Quem vive numa região ultraperiférica não precisa de sermões nem de entraves administrativos: precisa de soluções simples, justas e eficazes. O que recebemos é exatamente o contrário”, condenou.

O partido, que tem cinco deputados no parlamento açoriano, salientou que Portugal “precisa de uma mudança definitiva” que “respeite quem vive nas ilhas”.

“Que não restem dúvidas: este Governo não defende os Açores. Nunca defendeu. E não será agora que o vai fazer”, acrescentou a estrutura regional do Chega.

O Governo da República quer alterar os critérios de elegibilidade do SSM para que o apoio só seja pago a quem não tenha dívidas à Segurança Social e Autoridade Tributária.

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