Acompanhe o nosso artigo em direto sobre a campanha presidencial

O candidato presidencial Jorge Pinto afirmou este domingo que quem, em Portugal, está confortável com líderes autoritários e apoia as suas ações é traidor da pátria e assegurou que vai dialogar com eleitores de extrema-direita durante a campanha.

No discurso que encerrou a festa de abertura da sua campanha presidencial, Jorge Pinto pediu que se “saiba ouvir” o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, porque o chefe de Estado norte-americano já “anunciou o fim da amizade entre os Estados Unidos e a Europa” e o continente europeu “está em risco de ficar entre a espada e a parede”.

“De ficar entre Vladimir Putin, de um lado, e Donald Trump, do outro. Ter dois líderes autoritários a querer dividir, a querer destruir, a querer ocupar politicamente o continente europeu e Portugal”, argumentou, acrescentando que quem, em Portugal e na Europa, “está confortável com estes líderes autoritários e apoiam as suas ações” é “traidor à pátria”.

Para o candidato presidencial, os que apoiam este cenário, “por mais que se digam nacionalistas e patriotas”, são “os adversários do país” e querem “destruir aquilo que foi construído em conjunto com os princípios mais basilares da democracia”.

Jorge Pinto alertou também, referindo-se a André Ventura, que o país arrisca-se a “perder uma República”, uma vez que “há outro candidato a Presidente da República que disse abertamente” na Assembleia da República que “queria acabar com este regime, que queria acabar com esta república”.

“Este risco é real. Nós arriscamo-nos a ver o projeto europeu dividir-se, dissolver-se, transformar-se numa coisa muito diferente daquilo que todos nós, certamente, ambicionamos que seja. Isso é perigoso”, alertou.

O candidato apoiado pelo Livre garantiu também que “não desiste de nenhum português” e que falará com todos, inclusive os que votaram na extrema-direita para lhes dizer que entende a sua desilusão e quer usá-la “a favor do país e não contra aqueles que o traem diariamente”.

“Todos nós conhecemos este Portugal no qual todos nós vivemos. Não é, nem deixaremos que seja, o Portugal do ódio. Connosco isso não vai acontecer. (…) É o Portugal da empatia, de entreajuda e também o Portugal do amor. É a esse Portugal que eu vou falar. Porque essas pessoas, todas elas, querem um país com mais amor”, acrescentou, reforçando que ninguém “está perdido para a extrema-direita”.

No mesmo discurso, Jorge Pinto insistiu nos alertas que tem feito sobre a possibilidade de uma maioria de dois terços de direita no parlamento aprovar alterações à Constituição sem a aprovação dos portugueses, reiterando que, nesse cenário, dissolveria o parlamento. Reiterou também que vetaria o pacote laboral se fosse aprovado pela Assembleia da República.

Inventário completo dos edifícios e terrenos públicos para criar habitação pública

Jorge Pinto prometeu também neste domingo que, caso seja eleito, reunirá autarquias, Governo e Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) para constituir um inventário de terrenos e edifícios públicos para criar habitação pública acessível.

Num discurso na festa de abertura da sua campanha eleitoral, em Lisboa, Jorge Pinto enumerou várias das iniciativas que pretende por em curso se for eleito Presidente da República e anunciou, entre algumas já conhecidas, que, embora não tenha poder de legislar, vai promover reuniões entre o Governo, as autarquias e as CCDR para responder à crise na habitação.

“Deixo esse compromisso: juntar à mesa as autarquias, os ministérios, o primeiro-ministro, as CCDR para começarmos por uma coisa muito simples que ainda não existe. Um inventário completo de todos os edifícios e terrenos públicos que podem servir para criar habitação pública de qualidade a preço acessível”, prometeu.

O candidato apoiado pelo Livre considerou que esta “deve ser uma prioridade de um Presidente da República” e sugeriu também que o chefe de Estado pode, por exemplo, convidar o poder político e os cidadãos a “voltarem a pensar nas cooperativas de habitação”, lembrando que este modelo já serviu para responder aos “problemas trágicos” que surgiram no pós-25 de Abril.

Jorge Pinto reiterou ainda a promessa que já tinha feito de organizar, até ao final do ano, uns Estado Gerais dedicados ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), que considera estar a ser “seriamente ameaçado”.

“É insustentável e é intolerável termos mais de um milhão de portugueses sem médico de família. É insustentável e é intolerável termos pessoas à espera meses, por vezes anos, por uma consulta. Isto não é o nosso país. Isto não é o Serviço Nacional de Saúde que criamos em Abril”, disse.

O candidato apoiado pelo Livre definiu também como prioritária a área da educação, enfatizando o seu papel como “elevador social” e a importância de uma escola pública gratuita e de qualidade em que os professores têm todas as condições para ensinar.

O também deputado lembrou a sua promessa de organizar uma “assembleia cidadã” para discutir a regionalização para que se possa avançar com esse processo e seja permitido aos portugueses pronunciarem-se sobre “algo que é bom para todos” e que está previsto na Constituição.

Jorge Pinto defendeu ainda a importância da prevenção da corrupção, argumentando que falar sempre de “combate à corrupção” dá como certo de que este crime vai acontecer e transmite a ideia de que “todos são corruptos e o importante é apanhá-los”.

“Nós que tanto falamos de um pacto da justiça, o Presidente da República pode e deve falar de corrupção, mas falando na sua prevenção. Porque é isso que fazem os países que efetivamente combatem a corrupção. É preveni-la na sua origem, na sua raiz, mas não é isso que outros candidatos querem”, sublinhou, pedindo também que o combate à violência doméstica passe a ser prioritário nas políticas de justiça.

“Não se deixem levar pela conversa do voto útil”

Já a porta-voz do Livre Isabel Mendes Lopes pediu aos eleitores que “não se deixem levar pela conversa do voto útil” nestas eleições presidenciais porque todos os candidatos têm iguais possibilidades de chegarem a Presidente da República.

No discurso na festa de abertura da campanha deJorge Pinto, a porta-voz e líder da bancada parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, disse que, no próximo dia 18, o país terá umas eleições “completamente em aberto” em que “qualquer um daqueles candidatos que está no boletim de voto tem a possibilidade de chegar à Presidência da República”.

“Isso é um facto que é incontornável. E, portanto, não nos deixemos levar pela conversa do voto útil, porque o verdadeiro voto útil é na pessoa em quem nós acreditamos que deve estar naquele lugar. E a pessoa que deve estar naquele lugar é o Jorge Pinto. Nos próximos cinco, mas nos próximos dez anos, na verdade”, acrescentou.

Isabel Mendes Lopes confessou que foi com “grande alívio” que recebeu a notícia de que Jorge Pinto se candidatava a Belém, porque é uma pessoa que com uma “absoluta clareza em termos de justiça”, que faz as coisas com entusiasmo e “cuidado no pormenor” e preocupado com o próximo.

Para a líder da bancada do Livre, Portugal precisa do Jorge Pinto não só pelas suas ideias mas também para evitar que estejam “os ovos todos no mesmo cesto”, com a direita à frente do Governo, Presidência da República, regiões autónomas e maioria das autarquias.

“A forma como o país precisa do Jorge viu-se na maneira como influenciou os debates e influenciou as tomadas de posições dos vários candidatos (…), obrigou os candidatos a discutir temas que, de outra forma, não teriam sido discutidos durante esta campanha eleitoral e são temas que vão ser importantíssimos nos próximos cinco, nos próximos 10 anos”, acrescentou.

A deputada do Livre, no mesmo discurso, criticou a postura do primeiro-ministro português, Luís Montenegro, perante o ataque norte-americano à Venezuela, que resultou na detenção do Presidente venezuelano, e aconselhou o líder do executivo português a ouvir o que diz o chefe de Estado norte-americano, em vez de desvalorizar as suas reais intenções.

Reconhecendo que as pessoas se possam sentir “esmagadas pelo que está a acontecer” no mundo, Isabel Mendes Lopes frisou que “não tem de ser assim” e que o futuro e o presente é feito por todos, inclusive as pessoas que se escolhe para representar o país a nível internacional e nacional.

“Portugal pode e deve ser um acérrimo defensor dos direitos humanos e do direito internacional. Pode e deve ser uma voz ativa para que a União Europeia seja um projeto guiado pelos direitos humanos, pela solidariedade, pela democracia. Pode e deve fomentar novas alianças com países e estados democráticos pelo mundo”, pediu.