Depois de uma ação militar que resultou na detenção de Nicolás Maduro em solo venezuelano, Donald Trump admitiu que os Estados Unidos da América podem não ficar por aqui. “Se não se comportarem, faremos uma segunda intervenção”. Mas as ameaças, feitas a bordo do Air Force One, não se ficam pela Venezuela e estendem-se até território europeu.

A sair da Florida, depois de ter acompanhado a intervenção militar “como se estivesse a ver uma série de televisão” a partir da sua mansão em Mar-a-Lago, Trump deixou o aviso à Venezuela. Questionado sobre se há planos para que as tropas norte-americanas se instalem na Venezuela, disse que tudo dependerá das ações da Presidente interina Delcy Rodríguez — com quem ainda não falou diretamente, ao contrário, garante, de outros membros da administração dos EUA.

“Ela está a cooperar. (…) Só digo que ela vai enfrentar uma situação provavelmente pior que a de Maduro”, caso não haja colaboração com quem está realmente, segundo Trump, a liderar a Venezuela. “Não me perguntem quem está a governar [a Venezuela], porque eu respondo e vou ser muito controverso”. Questionado por uma jornalista, assumiu: “Nós estamos a governar”.

“A Venezuela, neste momento, é um país morto. Temos que trazê-los de regresso e vamos ter que fazer grandes investimentos pelas companhias petrolíferas para recuperar as infraestruturas. (…) Nós precisamos de acesso total ao petróleo e a outras coisas para reconstruir o país”.

O Presidente norte-americano olhou para outro vizinho da América do Sul e deixou entender que os EUA podem também agir militarmente na Colômbia. “A Colômbia está muito mal também. É liderada por um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos EUA e não o vai fazer por muito mais tempo”. Novamente pressionado por um jornalista, que tentou perceber se esses comentários poderiam significar a intenção de realizar uma “operação” na Colômbia, Trump respondeu: “Isso soa-me bem”.

“Nós estamos a trabalhar para ter países viáveis e bem-sucedidos à nossa volta e onde o petróleo pode ser transacionado livremente. Isso baixa os preços, é bom para o nosso país”. Nem o México escapou às declarações de Trump. “O México tem que endireitar-se, porque [os narcotraficantes] estão a passar pelo México e vamos ter que fazer alguma coisa em relação a isso”.

Depois de críticas reiteradas — tanto por Trump como pelo Secretário de Estado Marco Rubio — o Presidente disse que em relação à Cuba é uma questão de tempo. “Acho que vão acabar por cair. Acho que não precisamos de fazer nada”.

Ainda a bordo do avião presidencial, o chefe de Estado garantiu que todos os soldados americanos envolvidos na ação em Caracas “estão em boa forma”. “A coragem deles foi incrível. Saíram do helicóptero e voavam balas de um lado para o outro. Como sabem, um dos helicópteros foi atingido mas nós trouxemos tudo de volta e ninguém morreu”.

Apontando em várias direções, Trump também lembrou um desejo antigo em solo europeu. “O que vos posso dizer é que precisamos da Gronelândia de um ponto de vista de segurança nacional. É estratégica, agora a Gronelândia está com navios russos e chineses em todo o lado. Precisamos da Gronelândia”, vincou. Atirou ainda que “a Dinamarca não vai ser capaz de o fazer”. Também deixou um recado à União Europeia (UE). “A UE precisa que nós a tenhamos — e sabem disso.”

No domingo, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, emitiu um comunicado no qual pedia diretamente ao Presidente norte-americano que “pare com as ameaças” de tomar o controlo do território autónomo da Gronelândia. “Os Estados Unidos não têm qualquer direito a anexar uma das três nações do reino da Dinamarca”, declarou Frederiksen, que diz não haver “qualquer sentido” neste tipo de conversa.

“Portanto, peço fortemente aos Estados Unidos que parem com as ameaças contra um aliado historicamente próximo e contra outro país e outro povo que disseram de forma muito clara que não estão à venda”, afirmou a primeira-ministra. Certo é que a bordo do Air Force One, Trump prometeu “falar sobre a Gronelândia dentro de 20 dias”.

Quanto ao futuro de Maduro, Trump disse que o “caso” que vai a julgamento é “infalível” e elogiou o juíz Alvin Hellerstein, que vai ouvir o Presidente Venezuelano e a sua mulher esta segunda-feira.

“As pessoas que votaram em mim estão entusiasmadas. Foi nisto que elas votaram. (…) Isto não é um país que está do outro lado do mundo. Isto não é um país que chegamos com uma viagem de 24 horas de avião. Isto é a Venezuela, está na nossa área, na Doutrina Donroe”, justificou.