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Um petroleiro que se encontra sob sanções norte-americanas desde o verão de 2024 fugiu ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos na costa da Venezuela, mudou de nome e de bandeira e foi entretanto reencontrado ao largo da Irlanda, onde se encontra a ser seguido pelas forças norte-americanas a partir de posições militares no Reino Unido, noticia o jornal The Guardian.

Em causa está o navio Bella 1, que as autoridades norte-americanas acusam de ter estado envolvido no transporte de carga ilegal para o Hezbollah, no Líbano, segundo o mesmo jornal. Inicialmente registado na Guiana, este petroleiro esteve também envolvido no transporte de petróleo iraniano e venezuelano para a China entre 2021 e 2025.

No final de dezembro, o Bella 1 preparava-se para chegar à Venezuela e carregar petróleo quando foi abordado pela Guarda Costeira dos Estados Unidos, que tem imposto um bloqueio ao petróleo venezuelano para pressionar o regime de Caracas — numa escalada de tensão que culminou esta semana no ataque norte-americano contra a Venezuela e na captura de Nicolás Maduro, levado para Nova Iorque para ali responder em tribunal por crimes de narcotráfico.

EUA preparam-se para apreender mais petroleiros na costa da Venezuela. E vão ficar com o petróleo do navio já apreendido

O navio, porém, recusou a entrada a bordo de elementos da Guarda Costeira dos EUA e fugiu. O sinal do navio foi perdido a 17 de dezembro e, durante cerca de duas semanas, a sua localização foi incerta. Contudo, a 1 de janeiro, o navio voltou a aparecer — mas agora com um novo nome e uma nova bandeira de registo. O navio foi apressadamente rebatizado como Marinera e registado no porto russo de Sochi.

O Marinera reapareceu no centro do Atlântico Norte, a noroeste dos Açores, dirigindo-se para norte, possivelmente rumo à Rússia através do Mar do Norte. Na lateral do navio surgiu, agora, uma bandeira russa pintada manualmente pelos tripulantes. O navio tem estado a ser monitorizado nos últimos dois dias por aeronaves norte-americanas a partir de uma base aérea britânica. Nas últimas horas chegaram a essa base aérea mais meios aéreos norte-americanos, incluindo aviões de transporte que se suspeita que poderão ter levado helicópteros de assalto destinados a intercetar o navio.

Os Estados Unidos mantêm dezenas de petroleiros bloqueados ao largo da Venezuela com o objetivo de impedir a saída de petróleo venezuelano. Pelo menos 16 petroleiros já tentaram fugir ao bloqueio.