“Eles dizem que quando se ganha a presidência, se perdem as intercalares. Gostava que me explicassem o que raio é que se está a passar na mente do público.” Foi com este mote que o Presidente norte-americano, Donald Trump, se reuniu esta terça-feira com os congressistas do Partido Republicano, num discurso em que se propôs a inverter esta tendência e apelou aos republicanos que trabalhem nesse sentido até às eleições de novembro deste ano.
“Precisam de ganhar as eleições intercalares, porque se não ganharmos eles encontrarão um motivo para me destituir“, argumentou Trump, insistindo que se o Partido Democrata recuperar a maioria no Congresso, irá tentar avançar com um novo processo de “impeachment” — que se somaria aos dois que o atual Presidente já enfrentou durante o primeiro mandato. O atual chefe de Estado insistiu que o seu antecessor, Joe Biden, deveria ter sido destituído “por uma centena de razões diferentes” e acusou os democratas de serem “maus e inteligentes”.
No entanto, ao longo de cerca de uma hora e meia de discurso, Donald Trump fugiu por várias vezes ao tema que o levou a falar no Kennedy Center — o centro de artes a que a administração se refere como Trump Kennedy Center. O Presidente debruçou-se sobre um tema habitual e falou sobre as eleições de 2020 que, insiste, lhe foram roubadas e os protestos e o motim subsequentes do 6 de Janeiro de 2021.
Falou ainda sobre outros temas mais atuais, como a discussão sobre a saúde, particularmente sobre o prolongamento dos subsídios dos seguros de saúde, insistindo na questão da inclusão das pessoas transgénero em desportos de equipa, à qual se opõe, e elogiando a sua política tarifária. “Têm tantos pedaços bons. Têm de os utilizar. Se os puderem utilizar, vamos vencer. Temos o primeiro ano mais bem sucedido de qualquer Presidente da História e deve ser [uma eleição] positiva”, apelou.
Na longa lista de sucessos, contou ainda o mais recente: a operação militar na Venezuela no passado sábado, que considerou “uma das mais incríveis” e “taticamente brilhante“. “Foi tão complexa, 152 aviões, botas no terreno. Foi incrível, ninguém foi morto. Do outro lado, muita gente foi morta, infelizmente. Cubanos, principalmente cubanos. Eles sabiam que nós estavámos a chegar e eles estavam protegidos. Os nossos tipos não estavam, os nossos tipos estavam a saltar de helicópteros. (…) Apanhámo-los um bocadinho de surpresa”, descreveu.
Ainda no tema da Venezuela, a longa intervenção de Trump incluiu um olhar sobre outras questões mais inusitadas: danças presidenciais. No início do seu discurso, o Presidente revelou que a primeira-dama, Melania Trump, desaprova as danças que faz nos seus comícios. “Ela disse mesmo ‘Consegues imaginar FDR [Franklin Delano Roosevelt, Presidente norte-americano entre 1933 e 1945] a dançar?'”, partilhou Trump.
????️ 'He tries to imitate my dance'
Donald Trump ordered the attack on Venezuela after becoming increasingly irritated by Nicolas Maduro’s public displays of dancing, US media reported.
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— The Telegraph (@Telegraph) January 6, 2026
Momentos mais tarde, as suas danças voltariam a ser tema, desta vez por comparação ao Presidente venezuelano deposto. “Ele chega ali acima e tenta imitar a minha dança“, declarou, arrancando risos à sua audiência. “Mas ele é um tipo violento e matou milhões de pessoas, tinha câmaras de tortura no meio de Caracas que já estão a ser encerradas”, rematou.