Nas últimas semanas, vários moradores de Colares, no concelho de Sintra, e de Fernão Ferro, no município do Seixal, têm sido afetados por cortes de abastecimento de energia elétrica. Ao Observador, chegaram relatos de residentes em Colares que dizem ter ficado sem luz durante “várias horas”, por vezes mais de sete. A E-Redes garante que está a trabalhar no problema, mas “as condições atmosféricas” podem ter impacto na celeridade da sua resolução.
Esta quinta-feira, a eletricidade voltou a falhar em Colares. “Hoje falhou menos tempo, mas anteontem [foram] várias horas, como nas vezes anteriores [na semana passada], e já depois de escurecer, o que é muito pior. Parece ser um problema de fundo”, afirmou ao Observador um morador que preferiu não se identificar.
Da parte da EDP ou da E-Redes, os consumidores não têm recebido qualquer explicação, pedido de desculpas ou aviso prévio dos cortes de energia. A situação tem causado transtornos no seu quotidiano, com alimentos a descongelarem, dificuldades no aquecimento das casas, impossibilidade de confeção de refeições, de banhos com água quente ou mesmo o carregamento das baterias dos telemóveis.
Contactada pelo Observador, Catarina Machado, assessora de imprensa da E-Redes, confirmou que a situação se mantém, explicando que “há algumas avarias de baixa tensão nestas localidades”. Acrescentou que as equipas “estão mobilizadas para a resolução das anomalias de forma mais célere”, mas admitiu que “dadas as condições atmosféricas [chuva e nevoeiro] e a natureza de algumas avarias, pode haver alguns casos mais demorados“.
No que diz respeito a Fernão Ferro, a assessora do principal operador da rede de distribuição de energia elétrica em Portugal Continental remeteu para a posição já tornada pública pela autarquia do Seixal, lembrando que houve, esta quarta-feira, uma reunião entre a Câmara Municipal e a empresa sobre o tema e que está a ser trabalhada “uma solução conjunta”.
Em causa está, sobretudo, o Pinhal do General, identificado pela E-Redes como a zona mais crítica da freguesia de Fernão Ferro. O Pinhal do General é uma Área Urbana de Génese Ilegal (AUGI) e necessita da construção de infraestruturas próprias. Recentemente, a área tem tido um crescimento muito acentuado, o que está na provável origem da sobrecarga da rede. A empresa explica que está a aguardar “a construção da solução técnica definitiva por parte da AUGI, para a qual já existe projeto e autorização da autarquia para a construção de um posto de transformação.
Há cerca de duas semanas, fonte oficial da Câmara Municipal do Seixal já tinha confirmado à agência Lusa que os cortes de energia se verificam em vários pontos da freguesia de Fernão Ferro. Na mesma ocasião, a E-Redes reiterou que a natureza ilegal da urbanização e o crescimento rápido da população estão na origem da sobrecarga da rede elétrica local.
O presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva, afirmou ter recebido, durante a reunião com a empresa, garantias de que as constantes quebras de energia no concelho serão resolvidas com o reforço e a melhoria das infraestruturas elétricas. O autarca explicou que a empresa assegurou que, ao longo de 2026, serão construídos nove novos postos de transformação no concelho, distribuídos pelas três freguesias mais afetadas: seis em Fernão Ferro, dos quais três no Pinhal do General, dois em Corroios e um na Amora.
“Toda esta infraestrutura vai ter de estar construída até ao início do próximo inverno porque é no inverno que há o pico de consumo de energia”, sublinhou o presidente da câmara, acrescentando que, segundo a E-REDES, os cortes registados durante o período do Natal e do Ano Novo resultaram de uma conjugação de baixas temperaturas com um aumento significativo do consumo, o que acabou por ter impactos na rede elétrica.
Questionada pelo Observador sobre a situação nos dois concelhos, a EDP limitou-se a redirecionar o contacto para a E-Redes, entidade responsável pela gestão da rede de distribuição de eletricidade.