Tinha marcado 14 golos com uma assistência em 40 jogos na época de estreia, aumentou esses números para 19 golos e seis assistências em 46 partidas em 2024/25, era dado como uma certeza no plantel da presente temporada depois de um ano em que o PSG ganhou Ligue 1, Taça, Supertaça e Liga dos Campeões (além de ter estado na final do Mundial de Clubes, que perdeu frente ao Chelsea). Gonçalo Ramos não teve vida fácil desde que chegou ao campeão francês, ficando várias vezes no banco perante a quantidade e qualidade de opções de Luis Enrique para as três posições da frente. No entanto, o português sempre esteve ciente do que tinha de fazer a mostrou-o logo no primeiro encontro, quando entrou aos 77′, desviou de cabeça na pequena área um cruzamento tenso de Dembélé e levou a final da Supertaça Europeia para o desempate por grandes penalidades, onde os franceses acabariam depois por levar a melhor contra o Tottenham.

Enquanto não chegam os outros sonhos, o legado deles continua a ser fazer história (a crónica da Supertaça Europeia)

Entrou, teve uma oportunidade, “resolveu”. Ramos foi Ramos, o Pistoleiro que só precisa de minutos para mostrar que apresenta uma capacidade de fazer a diferença que não muda perante a condição de titular ou suplente. “Estou muito feliz. É um dia maravilhoso, é um troféu especial porque nunca sabemos se o vamos disputar outra vez. Para mim, é o mesmo de sempre. Estou sempre pronto para ajudar quando a equipa precisa de mim, se me derem a bola como fizeram, vou marcar. Se vou ficar no PSG? Sim”, assegurou o avançado formado no Benfica, garantindo uma terceira época ao serviço dos campeões europeus.

A “torneira” deixou depois de pingar tanto. Com apenas seis partidas como titular até à última paragem para compromissos das seleções a meio de novembro, Ramos marcou mais quatro golos (com uma assistência) e dois voltaram a ser decisivos… ambos a entrar aos 72′: na Catalunha frente ao Barcelona para a Champions (2-1), no Parque dos Príncipes com o Nice para a Ligue 1 (1-0). “O Gonçalo é um jogador importante para nós, independentemente do tempo de jogo. Estamos muito satisfeitos com o seu desempenho. Avaliamo-lo pelo seu rendimento. Confiamos na sua capacidade e estamos contentes com ele”, apontou na sequência desse triunfo o técnico Luis Enrique, dando uma mensagem para fora sobre uma possível saída no mercado de transferências de janeiro. Inglaterra tentou chamar o português, o português estava para ficar.

Depois de ter ajudado de forma direta Portugal a qualificar-se para o Campeonato do Mundo, sendo titular no jogo decisivo com a Arménia perante o castigo de Cristiano Ronaldo com um golo e uma assistência na goleada das antigas por 9-1 com hat-trick de Bruno Fernandes e João Neves, o português marcou ao Rennes e ao Metz, bisou na Taça diante do Fontenay mas manteve esse papel de quase “12.º jogador” na equipa, sendo raros os jogos como titular e ainda mais raros os jogos em que não era suplente utilizado. Na final da Supertaça diante do Marselha não foi diferente. A preponderância do português também não.

Em vantagem desde cedo com um golo de Ousmane Dembélé, e com Nuno Mendes, Vitinha e João Neves de novo como titulares, o PSG não conseguiu aumentar a vantagem, consentiu o empate num penálti de Mason Greenwood (76′), tremeu e permitiu mesmo a reviravolta, num autogolo de Willian Pacho (87′). Quase em desespero com o cenário de deixar fugir mais um troféu, Luis Enrique lançou Mayulu e Gonçalo Ramos aos 89′ e festejou mesmo o empate no quinto minuto de descontos: Vitinha abriu longo em Barcola num passe que faz parecer o futebol fácil, o francês cruzou para a área e o português, sem deixar cair a bola, encostou para o empate. Tudo igual, tudo de novo decidido por penáltis, tudo a cair para o PSG que, depois da Supertaça Europeia e da Taça Intercontinental, somou mais um troféu nesta autêntica era dourada.

Alguém diga a Luis Enrique que afinal o ChatGPT tinha razão: PSG vence Marselha nos penáltis e conquista Supertaça

“Tivemos a possibilidade de matar o jogo e marcar o segundo golo mas eles foram muito ofensivos e criaram oportunidades para ganhar o jogo. Eu consigo controlar-me mas não sou um robô, preciso de exteriorizar as frustrações. Esta equipa é diferente, há um estado de espírito diferente. Quero felicitar o Gonçalo Ramos. É um verdadeiro soldado, um jogador incrível, uma pessoa extraordinária. Não tem muitos minutos mas está sempre presente. Nem que seja para jogar um ou dois minutos, está sempre pronto para dar tudo. É um prazer ter o Gonçalo connosco”, destacou Luis Enrique, entre vários elogios à equipa.

Os números de Gonçalo Ramos esta temporada têm outra particularidade. Além de ser o melhor marcador da equipa com dez golos em 25 jogos mas apenas 1.063 minutos, à frente de Dembélé, Doué, Kvaratskhelia e João Neves, seis desses dez remates certeiros chegaram já depois do minuto 90, sendo que dois acabaram por valer outros tantos títulos. Olhando para todos os 43 golos que marcou em duas épocas e meia do PSG, 12 surgiram no período de compensação, o que representa 28% do total. Com ele, não há “descontos”.