Apesar de tudo, o facto de o Manchester United estar atualmente no sétimo lugar da Premier League e completamente dentro da corrida pelo apuramento para as competições europeias tem amenizado um cenário negro que se torna cada vez mais claro: o clube atravessa um dos piores momentos da sua história e a verdade é que nem os números conseguem escondê-lo.

Este domingo, ao perder em Old Trafford com o Brighton, o Manchester United foi eliminado da Taça de Inglaterra logo na primeira ronda em que participou. Ou seja, depois de também terem sido eliminados na primeira ronda da Taça da Liga pelo Grimbsy Town do quarto escalão e por não estarem na Europa, os red devils têm agora a temporada completamente reduzida à Premier League. O resultado? Uma estatística histórica. 

Sem Taça de Inglaterra, Taça da Liga ou qualquer competição europeia, o Manchester United vai realizar apenas 40 jogos ao longo de toda a temporada. Ora, desde 1914/15, há mais de 100 anos, que o clube não cumpria tão poucos jogos durante uma época inteira — sendo que, na altura, só aconteceu devido à 1.ª Guerra Mundial. Adicionalmente, esta foi também a primeira vez desde 1981/82 em que os red devils foram afastados das duas taças domésticas no primeiro jogo que realizaram em cada competição.

O Manchester United leva atualmente apenas uma vitória nos últimos sete jogos e, uma semana depois do despedimento de Ruben Amorim, Darren Fletcher não foi além de um empate com o Burnley para a Premier League e a tal eliminação às mãos do Brighton na Taça de Inglaterra. O treinador escocês apresentou-se em Carrington esta segunda-feira, supostamente para reunir com a estrutura liderada pelo CEO Omar Berrada e o diretor desportivo Jason Wilcox, e o mais provável é que abandone o cargo de interino nas próximas horas.

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Para isso, porém, é preciso continuar um substituto. O facto de o Manchester United não querer contratar um treinador a longo prazo neste momento é um dado adquirido, ou seja, os red devils pretendem um interino de longa duração que leve a equipa até ao final da temporada para depois ser eventualmente substituído por uma outra aposta no verão. E aí, depois de vários dias em que parecia que o nome de Ole Gunnar Solskjaer estava praticamente confirmado, Michael Carrick ganhou força e é agora o grande favorito — até porque está sem trabalho desde junho, altura em que foi despedido do Middlesbrough.

Entretanto, o que parece não acontecer a mais ninguém continua a acontecer ao Manchester United. Este domingo, horas depois da eliminação na Taça de Inglaterra, a conta de Bruno Fernandes na rede social X começou a partilhar publicações estranhas — no mínimo. Entre linguagem ofensiva, críticas diretas à INEOS e interações com Jake Paul, youtuber e agora pugilista, depressa se percebeu que não era o internacional português o autor de todas as mensagens. Pouco tempo depois, o próprio Manchester United comunicou que a conta de Bruno Fernandes tinha sido alvo de um ataque informático, aconselhando os adeptos a não interagirem de maneira alguma.

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De viva voz, porém, Darren Fletcher assumiu o momento complicado que o clube atravessa, mas lembrou que ainda existem objetivos — como a muito necessária qualificação para a Liga dos Campeões da próxima época. “Não desperdicem a temporada. Esse seria o desafio que eu colocaria. Não é um grande momento, temos de ser honestos, estamos fora das Taças muito cedo. Mas o verdadeiro caráter mostra-se em tempos difíceis. Ainda há um lugar na Liga dos Campeões pelo qual lutar e eu ainda acredito que isso pode ser alcançado. Não é o que os adeptos querem ouvir, provavelmente, porque devíamos estar a ganhar Taças e a disputar a Premier League. Mas é provavelmente o objetivo desta temporada”, reconheceu o treinador.

Pelo meio, o ambiente que se vive no universo do Manchester United é cada vez mais irrespirável. A última semana assistiu a críticas, protestos e exigências de mudança, com o 1958, um dos maiores grupos organizados de adeptos do clube que conta com mais de 100 mil membros, a agendar uma manifestação contra a Direção dos red devils para o próximo dia 1 de fevereiro. Já este domingo, nas bancadas de Old Trafford, era possível ver várias tarjas direcionadas a Jim Ratcliffe, o atual acionista maioritário do clube, assim como à família Glazer, os norte-americanos que estão no Manchester United há mais de 20 anos.