A 5 de julho de 2012, Valério Luiz estava conduzir, depois de ter saído do estúdio da Rádio Jornal 820 AM, em Goiânia, capital do estado brasileiro de Goiás, quando foi atingido por vários disparos. O comentador desportivo ainda foi socorrido, mas acabou por morrer no local. Quase 14 anos depois do homicídio, a Polícia Judiciária deteve nas Caldas da Rainha um dos quatro condenados pelo crime.
Marcus Vinicius Pereira Xavier foi condenado a 16 anos de prisão por ter ajudado a planear a morte de Valério. Na altura, o tribunal entendeu que o crime tinha sido premeditado com o objetivo de silenciar a vítima, que teria aproveitado o seu tempo de antena, como comentador e jornalista desportivo, para criticar Maurício Sampaio, vice-Presidente do Atlético Goianiense.
Segundo a imprensa brasileira, o crime foi encomendado pelo dirigente do clube e cometido por Ademá Figueiredo (ex-polícia condenado a 14 anos de prisão). O assassino foi contratado por Urbano de Carvalho (funcionário do vice-Presidente), que acabou condenado a 14 anos de prisão. Djalma (também ex-polícia) foi o único réu absolvido — estava acusado de ajudar a planear o ataque.
O caso foi sendo adiado várias vezes e só chegou a julgamento em junho de 2022, dez anos depois da morte do jornalista. “Eu espero que o julgamento aconteça, mas a sensação é que, mesmo que eles sejam responsabilizados, vamos continuar com uma sensação de injustiça, porque a vida do meu pai não volta”, chegou a dizer a filha da vítima, ao portal g1, nesse ano.
Em março de 2024, já depois da condenação, o Supremo Tribunal de Justiça do Brasil anulou a decisão do júri popular que condenou quatro dos cinco réus. A anulação estava relacionada, precisamente, com o interrogatório do homem agora apanhado nas Caldas da Rainha — e que já então havia estado em Portugal.
A imprensa brasileira explicou que Marcus foi apanhado, em 2014, em Portugal e extraditado para o Brasil. O advogado pediu para ele ser ouvido e para ter oportunidade de explicar a fuga para Portugal e revelar novos factos do processo. A audiência especial só aconteceu em 2015, mas as explicações dadas pelo fugitivo não se cingiam à sua atividade no crime; o homem também terá denunciado outros cúmplices.
Por esse motivo, a defesa do antigo dirigente do clube disse que as declarações de Marcus afetavam o direito de ampla defesa dos outros acusados — uma vez que o fugitivo foi ouvido sem estarem presentes os advogados dos outros réus.
A primeira passagem de Marcus por Portugal remonta a 2004, quando foi expulso pelo SEF após uma detenção por agressões. Depois da fuga em 2014, passou a residir regularmente e legalmente em Portugal em 2018, descreve o Correio da Manhã, mas alterava a morada com regularidade e trabalhava na construção civil.
Foi agora localizado e detido, através da Unidade de Informação Criminal, na cidade das Caldas da Rainha, para cumprimento de um mandado de detenção internacional, emitido pelas autoridades judiciárias do Brasil, pelo crime de homicídio qualificado. Marcus será presente ao Tribunal da Relação de Coimbra, para aplicação de uma medida de coação.