Os excessos de velocidade são um problema, especialmente nas grandes cidades, e Washington DC, a capital dos Estados Unidos da América, não é excepção. Apesar de ser a capital federal de um país com 340 milhões de indivíduos, Washington DC possui apenas 700 mil habitantes, mas suas principais artérias contam com a ajuda de 546 câmaras a monitorizar semáforos, sinais de stop e a controlar o excesso de velocidade, para incentivar os condutores a cumprir a lei e a evitar acidentes e atropelamentos. Agora há quem tente banir as câmaras e os radares até final do ano, o que está a deixar os responsáveis pela cidade à beira de um ataque de nervos.
A capital americana recorreu às câmaras para obrigar ao respeito pelos semáforos há cerca de 26 anos, a que juntou posteriormente câmaras para reforçar o cumprimento de quem está ao volante pelos limites de velocidade e os sinais de stop. De acordo com a imprensa norte-americana, as 546 câmaras aplicam multas entre 100 e 500 dólares, valores que levam a maioria dos condutores a ter mais respeito pelas leis locais.
De acordo com o Politico, o Departamento de Transportes (DOT) está a tentar ilegalizar a utilização de câmaras pelos responsáveis pela cidade, para gáudio dos condutores que receiam ser apanhados pelo sistema. O relatório do DOT foi enviado para a Casa Branca, na esperança de vir a ser aprovado pelo Congresso, ainda em 2026, garantindo a proibição dos sistemas automáticos de controlo de velocidade e transgressões, bem como a aplicação das respectivas multas.
Esta não é a primeira tentativa para banir as câmaras e os radares de velocidade em Washington, mas nenhuma delas conseguiu até agora ser aprovada e evoluir para lei. Isto apesar de os críticos defenderem que o sistema implementado pela cidade está a ser utilizado para gerar receitas para os cofres da cidade, em vez de se concentrar no incremento da segurança.
Caso o pedido do DOT para banir as câmaras e os radares seja aceite, os responsáveis pela capital ficam com duas “batatas quentes” nas mãos. Uma diz respeito ao potencial incremento dos excessos de velocidade e desrespeito por semáforos e sinais de stop, o que invariavelmente dará origem a mais acidentes, mais feridos e a um maior número de fatalidades. O segundo problema é capaz de ser ainda mais difícil de ultrapassar, uma vez que as multas geram milhões para os cofres da cidade. Em 2023 renderam 139,5 milhões de dólares, valor que disparou para 213,3 milhões em 2024 e atingiu, em 2025, 267,3 milhões de dólares, cerca de 231 milhões de euros. Pelo seu lado, o presidente da câmara Muriel Bowser continua defender as vantagens do seu programa Vision Zero, uma iniciativa que visa sobretudo reduzir as fatalidades.