Poucos segundos separaram os alertas e posterior o choque entre dois comboios que resultou na morte de pelo menos 40 pessoas perto de Adamuz, na Andaluzia. Apesar de não conseguir avançar com uma causa para o incidente, Álvaro Fernández Heredia, presidente da empresa ferroviária pública Renfe, contou à Cadena SER que o período de tempos antes da colisão foi de apenas “vinte segundos”, insuficiente para o sistema automático de controlo conseguir funcionar.

Este sistema, mencionado por Fernández Heredia, tem origem alemã e é conhecido pela sigla LZB, que significa controlo contínuo de comboios em alemão. Funciona através de cabos que percorrem as linhas ferroviárias e envia várias informações em tempo real ao maquinista, sobre a velocidade ou alarmes. “Estes sistemas permitem comunicar o comboio com a via e ver a sua posição para medir bem as distâncias entre eles, por exemplo, e coordenar o tráfego”, explicou a Cadena SER.

Ainda segundo o responsável da Renfe, este sistema “está equipado de tal forma que, quando há um obstáculo na via, bloqueia a faixa e impede a circulação, ordenando o travão de emergência do comboio”, sem interferência do maquinista.

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Porém, o tempo que passou desde o momento em que surge o alarme e a travagem não foi suficiente para que as medidas de emergência atuassem. “Aparentemente, o intervalo de tempo entre um comboio e o outro que se cruzavam em sentidos opostos era de vinte segundos e, portanto, é impossível que esse mecanismo funcione”, continuou o responsável da Renfe.

Esta linha que ligava Huelva a Madrid fazia parte da via de alta velocidade mais antiga de Espanha, tendo sido inaugurada há quase 35 anos, em 1992. A infraestrutura desse percurso tinha sido, também, renovado há pouco tempo, com substituição e reforço de desvios, travessas e catenárias.

Para além disso, como menciona a emissora, o sistema LZB estava a ser gradualmente substituído por um sistema europeu, o ERTMS2, que “permite uma melhor interconexão com outras redes ferroviárias”.

A 8 de janeiro, o jornal El Diario noticiou um roubo de cabos deste mesmo sistema LZB entre Guadajoz, na província de Sevilla, e Córdoba, que provocou vários atrasos nas ligações entre a Andaluzia e a capital espanhola.

Segundo a agência Reuters, os técnicos encontraram uma junta partida no carril, para além de sinais de desgaste na placa de junção, algo que mostrava uma falha que já existia há algum tempo. A junta criava uma abertura nas secções do carril que se ia alargando com a circulação ferroviária, noticiou a agência, que citou fontes na investigação.

Tanto Fernández Heredia como o ministro dos Transportes, Oscar Puente, mostraram-se alinhandos na perplexidade com que viram as circunstâncias do descarrilamento. “Não era um problema de excesso de velocidade”, apontou ainda o presidente da Renfe, que avisou que iria demorar até se chegar a “conclusões” sobre os verdadeiros motivos do incidente.

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