Não existia um nome melhor para um jovem espanhol que quer ser tenista profissional. Rafael Jódar, de apenas 19 anos, tem o nome do ídolo de todos os jovens espanhóis que querem ser tenistas profissionais: Rafael Nadal. Mas a verdade é que a inspiração por detrás do nome é bastante mais familiar do que o expectável.

“É mera casualidade. Os meus pais chamaram-me Rafael porque o meu pai e o meu avô também se chamam Rafael. Não é pelo Rafa Nadal. Depois deu-se a coincidência de eu começar a jogar ténis, de começar a sair-me bem, e claro que começaram a relacionar-me ao nome do Rafa. E bem, ter o mesmo nome que ele é ótimo, na verdade. É um bom nome para se ter quando se quer jogar ténis”, explicou o espanhol, que pode proporcionar o novo “vamos, Rafa!” do ténis mundial, numa entrevista recente.

Nascido em Madrid em setembro de 2006, Rafael Jódar é a nova coqueluche do ténis espanhol. Com apenas 19 anos, estreou-se em Grand Slams com uma vitória na primeira ronda do Open da Austrália, eliminando o japonês Rei Sakamoto em cinco sets, e vai agora defrontar o checo Jakub Mensik na próxima eliminatória. Desde logo, já igualou os feitos de Rafael Nadal e também Carlos Alcaraz, que também se estrearam em majors com um triunfo.

A explosão de Rafael Jódar, porém, não começou agora. Produto do Clube de Ténis Chamartín, em Madrid, conquistou a edição júnior do US Open em 2024 e venceu três challengers no ano passado, em Creta, no Nebraska e em Charlottesville, saltando mais de 700 lugares no ranking ATP para aterrar na atual 150.ª posição. Pelo meio, qualificou-se para o Next Gen ATP Finals, onde ganhou duas partidas, e chegou a ser convocado para ser parceiro de treino dos tenistas profissionais na Taça Davis, com Espanha, falhando o evento por lesão.

Entrou na University of Virginia, nos EUA, em 2024 e para perseguir o caminho universitário. Os sucessos recentes, porém, levaram-no a optar por se tornar profissional já a partir deste ano, tomando uma decisão que também o norte-americano Ben Shelton tomou há algum tempo. “A oportunidade apareceu porque tanto eu como os meus pais damos muita importância aos estudos. É uma das melhores universidades públicas dos EUA. Não me arrependo nada de ter ido”, explicou recentemente o jovem espanhol, cujos pais são ambos professores.

Adepto do Real Madrid, Rafael Jódar começou a jogar ténis com apenas quatro anos e até acumulou com o futebol até aos 11, onde era médio-centro. “No futebol, se queres divertir-te ou se queres melhor, precisas de outros meninos. No basquetebol é a mesma coisa. Eu entrei no mundo do ténis, gostei logo muito de tudo e tomei a decisão de deixar o futebol. Não sabia o que ia acontecer no futuro, mas sabia que podia ter mais sucesso no ténis”, contou ao jornal La Razón.

Com mais de 1,90 metros, o espanhol tem uma estatura que se impõe e que o distancia dos outros tenistas da mesma idade, já que é bastante mais alto do que a larga maioria dos adversários. Algo que não considera ser uma desvantagem. “Até diria que tem mais vantagens do que desvantagens. A principal vantagem é que consigo servir com mais força e melhor. E isso faz-me dominar os pontos, o que é muito importante. A única desvantagem, talvez, é a mobilidade”, reconhece.

Tem o piso rápido como superfície preferida e sonha com representar Espanha nos Jogos Olímpicos — mais do que com conquistar qualquer Grand Slam. Depois das vitórias nos três challengers e antes da vitória no arranque do Open da Austrália, ainda chegou à final do challenger de Camberra, perdendo para o belga Alexander Blockx: ou seja, em 34 dias e com apenas dois triunfos em território australiano, amealhou algo como 400 mil dólares.