Foram 903.201 votos, um terceiro lugar e um homem maior do que o partido que o viu nascer politicamente. João Cotrim Figueiredo quase triplicou o resultado da Iniciativa Liberal numa candidatura presidencial em nome próprio e, cinco dias depois, anunciou como vai dar seguimento ao capital político acumulado: criou um movimento “cívico-político” chamado “Movimento 2031”. O site do movimento foi abaixo devido a demasiados pedidos de inscrições, segundo o Instagram do liberal.

A revelação do movimento, feita na SIC Notícias, serviu para explicar que o projeto é “apartidário, mas não é apolítico” e que “não é um partido político“. Antes que outras leituras surgissem, Cotrim esclareceu que gostaria que o mesmo “resultasse no aumento da força e peso da Iniciativa Liberal”, mas também deixou claro que “se isso resultar no aumento da força das pessoas que querem faz política de forma positiva, mudar o país, reformá-lo efetivamente em qualquer outro partido também [fica] satisfeito”.

Crente de que “qualquer Governo e partido é sensível à opinião pública“, João Cotrim Figueiredo entende que “se influenciar a opinião publica, estou a influenciar os partidos” e nota que este movimento será relevante se for constituído por “pessoas que querem participar na vida política, cada um com os seus partidos, mas influenciando os seus partidos”.

O objetivo é, segundo Cotrim Figueiredo, que as mais de 900 mil pessoas que votaram em si “não fiquem sem um sítio onde possam manter energia“, ainda que deixe claro que também pretende que o movimento participe no debate público “condicionando-o no sentido de ser muito exigente com o Governo que esteja em funções”. Pretende, sublinha, ter “influência na vida política”, através de eventos e mantendo comunidades online e offline ativas, até porque “o capital [das presidenciais] não pode ser desperdiçado“.

Aos olhos de Cotrim, que não descose o enigma sobre presença em eleições futuras, no atual contexto político nacional não há “espaço para um novo partido político“, contudo, não deixa de enaltecer que com a sua candidatura “os extremos deixaram de crescer”.

Na mesma entrevista, João Cotrim Figueiredo — que chegou a admitir votar em Ventura e mais tarde assumiu o erro — garantiu que não vai “certamente” votar no presidente do Chega. Além de se recusar a endossar os seus votos por uma questão de liberdade, notou que a “escolha na segunda volta é péssima para os portugueses” por ser “entre alguém que quer que Portugal esteja parado e alguém que quer que Portugal ande para trás”.

“Desempato pela componente mais básica da decência: não gosto de pessoas que usem a mentira como sistemática arma política e aqueles que pedem o apoio das mãos que estiveram a morder. Não vou certamente votar André Ventura”, explicou, recusando que todos os que não estão com Ventura queiram o socialismo. Ainda que o tenha dito desta forma, João Cotrim Figueiredo acredita não ser útil dizer se vota em branco ou António José Seguro.