O proprietário do bar suíço onde morreram 40 pessoas num incêndio na passagem de ano foi libertado da prisão, mediante a prestação de uma caução de 200 mil francos suíços (216 mil euros). Jacques Moretti saiu em liberdade e pôde juntar-se à mulher, Jessica, gerente do bar, que está em liberdade condicional enquanto decorre a investigação – mas terá de comparecer numa esquadra de polícia todos os dias. Em reação, a primeira-ministra italiana considerou esta uma “afronta à memória das vítimas“.
De acordo com a agência Reuters, a libertação de Jacques Moretti está a gerar alguma indignação na opinião pública, designadamente tendo em conta o risco de fuga que levou a que os dois fossem detidos a 9 de janeiro. O casal tem expressado publicamente muita dor e contrição em relação à tragédia que levou à morte de 40 pessoas (além das 100 que ficaram feridas), o que poderá ter contribuído para a decisão do tribunal.
O homem, suspeito de crimes como homicídio por negligência, teve de prestar uma caução de 200 mil francos suíços (216 mil euros) e fica com a obrigação de se apresentar diariamente numa esquadra, uma medida para mitigar o risco de fuga que continua a preocupar as autoridades. A mulher, Jessica, que também era proprietária do bar, está desde meados deste mês em liberdade condicional, com termo de identidade e residência e sem poder sair do país.
Coproprietária de bar suíço onde morreram 40 pessoas em liberdade condicional
As autoridades judiciais já por duas vezes inquiriram os proprietários do “La Constellation”, que são os únicos suspeitos de crimes relacionados com este caso. Cada uma das sessões durou mais de 10 horas, acrescenta a Reuters, com os suspeitos a serem questionados acerca dos problemas de segurança que existiam no bar, que tinha sido alvo de remodelações.
Jacques Moretti, de 49 anos, declarou ao jornal suíço La Tribune de Genève que “tudo foi feito de acordo com as normas” e afirmou que o bar tinha sido alvo de inspeção por três vezes nos últimos 10 anos.
Governo italiano “fortemente indignado” com libertação
O incêndio neste bar, que fica na estância de esqui suíça Crans-Montana, levou à morte de 40 pessoas, incluindo uma portuguesa. Além das 40 vítimas mortais, na sua maioria menores de idade, outras 116 pessoas ficaram feridas, a grande maioria com queimaduras graves.
Seis dos 40 mortos eram cidadãos italianos, além, também, tal como são 10 dos feridos, o que justifica que este caso esteja a ser acompanhado de perto em Itália – e a primeira-ministra, Georgia Meloni, manifestou-se “fortemente indignada” com esta decisão.
Esta libertação, sob caução, é “uma afronta à memória das vítimas da tragédia da passagem de ano e um insulto às suas famílias”, afirmou a responsável. O embaixador italiano na Suíça recebeu ordem para contactar, imediatamente, o procurador-geral suíço para lhe comunicar a “grande indignação” italiana.
Toda a Itália clama por verdade e justiça, e exige que sejam tomadas medidas respeitosas após esta tragédia, que tenham plenamente em conta o sofrimento e as expectativas das famílias”, refere um comunicado emitido pelo governo italiano.
Segundo as investigações preliminares, o incêndio teve origem em artefactos pirotécnicos que incendiaram a espuma de isolamento acústico que cobria o teto, fazendo propagar as chamas por todas as instalações do local de divertimento noturno.
Foi noticiado por jornais como o italiano La Repubblica que as autoridades suspeitam que Jessica Moretti terá abandonado os clientes quando as chamas tomavam conta do espaço e fugiu com o dinheiro que estava na caixa. Após o incêndio, a gerente disse ter sofrido “queimaduras leves num dos braços” enquanto tentava escapar das chamas.
Os meus pensamentos estão sempre com as vítimas e com as pessoas que estão a lutar pela vida. Nunca poderíamos imaginar uma coisa dessas. Aconteceu no nosso local e quero pedir desculpas”, declarou Jessica Moretti, à saída de uma audição em tribunal.
Tanto Jessica Moretti como o marido, Jacques Moretti, são acusados de destruir provas ao bloquear a conta do bar nas redes sociais após o incêndio.
Num comunicado, divulgado na terça-feira, o casal disse estar “devastado” e a pensar nas vítimas, prometendo cooperar com os investigadores e prometendo que não tentariam escapar à responsabilidade. Os advogados dos dois proprietários do bar garantem que ambos “continuarão a cumprir todos os pedidos das autoridades”.