O secretário-geral do PS defendeu neste sábado que as eleições diretas devem ser um “momento de relançamento da iniciativa política” dos socialistas, argumentando que o partido “tem de voltar a afirmar-se como a grande e a única alternativa política de Governo”.

Na intervenção de abertura da reunião desta manhã da Comissão Política Nacional do PS, que foi aberta à comunicação social, José Luís Carneiro referiu que os socialistas “devem saber fazer das eleições internas”, que deverão realizar-se em meados de março já depois de escolhido o novo Presidente da República, “um momento de relançamento da iniciativa política do PS”.

“O PS tem de voltar a afirmar-se como a grande e a única alternativa política credível e de confiança para todas e para todos os portugueses. Esse é o espírito com que partiremos para essa eleição”, frisou o secretário-geral do PS, que se recandidata à liderança do partido.

O líder do PS manifestou a sua intenção de ver concluído todo o processo eleitoral interno “antes do verão, com eleições para os órgãos nacionais em março e para as concelhias e federações entre maio e junho”.

José Luís Carneiro enfatizou a importância de o PS estar “organizado, preparado para o diálogo e para a construção de uma alternativa sólida e credível ao Governo”.

“Para sermos aquilo, afinal, que sempre fomos, a grande força motriz das grandes transformações sociais, culturais, económicas e políticas em Portugal. Sim, com orgulho das conquistas dos últimos 50 anos, mas esse legado tem de ser a base para construirmos o nosso futuro coletivo. Sem esquecer a dignidade de cada pessoa”, pediu.

Carneiro apelou a todos os democratas e aos que “aspiram a um país mais decente” que “confiem nos valores, nos ideais e na capacidade do PS para os aplicar na vida concretas das pessoas”.

“Teremos a humildade democrática para ir ao seu encontro, para a saber ouvir e para fazer o melhor pelo nosso país. O PS quer afirmar-se como um partido progressista, humanista e moderado, um partido de valores, mas também de ação, um partido de soluções para o país e para todos, mesmo para todos os portugueses”, declarou.

Presidenciais são “particularmente importantes para o PS”

José Luís Carneiro enfatiza o apoio a António José Seguro, dizendo que a sua vitória “é uma eleição particularmente importante para o PS”.

A eleição presidencial, “pelos poderes consagrados ao Presidente, em termos de defesa do equilíbrio interinstitucional, mas também na defesa e política externa é da maior importância para a salvaguarda dos valores constitucionais e para o sistema político”, começa por dizer o secretário-geral do PS, que reúne hoje a Comissão Nacional.

“É uma eleição particularmente importante para o PS que contribuiu na clandestinidade e na democracia para a consolidação desses valores constitucionais”, declara, acrescentando: “Em circunstância alguma o Presidente deve confundir a sua função com os poderes legislativo, executivo ou judicial, mas há quem o queira fazer e o proclame e isso é inaceitável”.

E, por isso, diz que sai reforçada “a nossa decisão de apoiar” António José Seguro. “Fizemo-lo no tempo certo e no quadro do calendário que os socialistas definiram e quando me elegeram. A vitória de António José Seguro será, em primeiro lugar, uma vitória sua e uma vitória de Portugal, das suas qualidades pessoais, das suas virtudes cívicas e das sua grande experiência política e respeito pelas instituições democráticas”.

É também, diz, uma vitória da forma de estar de privilegiar os diálogos, os consensos, a defesa dos valores do humanismo e da coesão. Fazer política a partir das causas e não dos casos. E é possível estar além da representação partidária.  “É uma eleição de caráter unipessoal”.

Carneiro apela à mobilização de “todos os militantes, simpatizantes, autarcas, deputados e dirigentes”, com empenho e sentido de compromisso. “Devem fazê-lo não apenas pelo PS, mas sobretudo por Portugal e pela democracia”.

A Comissão Nacional do PS reúne-se para aprovar a calendarização do XXV Congresso e das eleições diretas para a liderança do partido, estando também prevista uma análise da situação política e uma intervenção aberta do secretário-geral.

A reunião tem na ordem de trabalhos a análise da situação política, a aprovação de vários aspetos do XXV Congresso Nacional do PS, incluindo a eleição da comissão organizadora, por via eletrónica, a definição da data e local – que deverá ser Viseu – e os regulamento das eleições do secretário-geral, dos delegados ao congresso e da quotização.