A Câmara Municipal de Cascais vai desembolsar 30,2 milhões de euros para adquirir 32 terrenos localizados perto da Quinta da Marinha. A operação fez-se sob litígio, já que o fundo que detém estes imóveis queria vendê-los a duas empresas privadas, com o município a avançar com uma providência cautelar para garantir o seu direito de preferência.
De acordo com a notícia avançada este domingo pelo Correio da Manhã, a autarquia liderada por Nuno Piteira Lopes aprovou a contratação de um empréstimo bancário para a compra destes imóveis, que compreendem uma área total de 434,6 quilómetros quadrados e se encontram junto à Aldeia de Juso e de Birre.
A Câmara de Cascais não apresentou oficialmente um plano para o que quer fazer com estes terrenos, mas segundo o CM, terá justificado a compra com a tentativa de impedir “qualquer operação de especulação imobiliária sobre aquela área estratégica do concelho”. É também adiantado pelo mesmo jornal que o intuito da compra é a de criar um parque urbano de grandes dimensões e construir habitação destinada a renda acessível.
Esta operação apenas foi realizada após o município interpor uma providência cautelar contra o fundo de investimento Lusofundo, que detém os terrenos, já que este não reconheceu o direito de preferência da autarquia e queria vendê-los pelo mesmo valor às empresas Country Ways, SA e Logical Syntony, ambas constituídas em Portugal em julho de 2025. Com a apresentação da providência cautelar, as empresas desistiram do negócio.
No cerne da disputa está o facto da autarquia ter garantido que cumpriu o prazo legal para o exercício do direito de preferência em outubro, o que o Lusofundo contesta. A Câmara de Cascais avançou com a providência ao ser notificada em novembro que a escritura do negócio ia ser assinada nas instalações da Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, com a sua associada Andreia Bento Simões a agir como procuradora. A autarquia alega que este escritório de advogados entrou em conflito de interesses ao representar a Lusofundo, já que anteriormente tinha representado a câmara no caso da urbanização da Quinta dos Ingleses, em Carcavelos.