O Aeródromo Municipal de Cascais, localizado em Tires, viu o movimento de jatos privados duplicar desde 2019, ano de referência para a aviação (o último antes da pandemia), até 2025, com cerca de 2.500 movimentos, o que corresponde também ao valor mais elevado de sempre. O número foi avançado pelo presidente da autarquia, Nuno Piteira Lopes, durante a cerimónia de inauguração da nova torre de controlo, realizada esta quarta-feira.

Fruto de um investimento de mais de oito milhões de euros partilhado entre a Câmara de Cascais e a NAV Portugal, empresa de controlo aéreo, a torre tem quase 30 metros de comprimento e está já preparada para as novas exigências operacionais e tecnológicas. Entre os novos equipamentos encontram-se o ATIS, sistema que assegura a transmissão automática de informação operacional às aeronaves, e o TWRATM, o sistema da NAV Portugal destinado à gestão dos planos de voo nas torres de controlo. O investimento da responsabilidade da NAV ascende a 5,4 milhões de euros.

A nova estrutura permite uma observação mais abrangente sobre a pista e a sua envolvente operacional, com visibilidade favorecida para toda a área de manobra da pista do aeródromo e está dotada de sistemas de contingência de rádio e radar, bem como de uma posição de trabalho suplementar, totalmente equipada para assumir qualquer uma das funções operacionais da Torre de Cascais, em caso de necessidade.

Esta é a primeira de uma nova geração de torres de controlo, indicou o presidente da NAV, Pedro Ângelo. Há investimentos em preparação para o atual aeroporto de Lisboa e para a Madeira (Funchal) onde a torre de controlo vai mudar de sítio para permitir uma expansão do terminal de passageiros.

O crescimento no aeródromo de Cascais tem feito também parte do reforço da capacidade de resposta da infraestrutura na Grande Lisboa, permitindo retirar algum tráfego do congestionado aeroporto de Lisboa, recordou o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo. De acordo com dados de meados de 2025, Tires acolhia 75% do movimento de jatos na Grande Lisboa.

Tires já recebe 75% dos voos privados de Lisboa. Mas, sem expansão da pista, a Aeropolis de Cascais vai crescer mais em terra

Tires é o único aeródromo que não está na rede de aeroportos concessionada à ANA que pode receber voos fora do espaço Schengen, o que implicou reforçar a presença de forças de segurança. Segundo o autarca, desde 2025 que passaram a estar presentes diariamente equipas da PSP, da PJ e do controlo de passageiros.

A Câmara de Cascais tem em curso um plano de mais de 10 milhões de euros de investimentos. Para além da torre de controlo e do novo quartel dos bombeiros, já concluídos, o plano envolve uma nova aerogare de passageiros e um novo acesso rodoviário à autoestrada A5, para o qual já existe um projeto com a Infraestruturas de Portugal e com a Brisa.

O objetivo da autarquia é continuar a investir em Tires, não só a pensar no tráfego comercial, mas também na componente de formação de pilotos — a TAP já instalou um centro de treino — e na qualificação direcionada para as atividades da aeronáutica onde há muita procura de mão de obra, tendo feito uma parceria com a Universidade Nova SBE. O polo universitário será lançado na próxima semana e irá envolver os alunos de engenharia aeroespacial que terão oportunidade de trabalhar em hangares, oficinas e laboratórios, com veículos espaciais e aeronaves de pequena e média dimensão.

Há também a intenção de atrair empresas de tecnologia ligadas ao setor da aeronáutica.

Fora dos planos da autarquia está uma futura concessão a privados do aeródromo de Tires, esclareceu Nuno Piteira Lopes aos jornalistas, afastando um cenário que chegou a ser equacionado no mandato do anterior presidente, Carlos Carreiras. O aeródromo é gerido por uma empresa municipal, a Cascais Dinâmica, e no passado gerou receitas de 3,5 milhões de euros.