Por mais um ano, o Relógio do Juízo Final voltou a estar aproximar-se da meia-noite. O registo, que pretende simbolizar a possibilidade do fim da humanidade, nunca esteve tão perto de alcançar a marca limite nos seus quase 81 anos de história, faltando agora apenas 85 segundos (menos quatro que no ano passado).

Entre os fatores para a aproximação citadas pelo Boletim dos Cientistas Atómicos estão as “crescentes ameaças de armas nucleares, tecnologias disruptivas como inteligência artificial (AI), múltiplas preocupações com segurança biológica e a crise climática contínua”.

O físico e professor Daniel Holz lembrou também outro “desenvolvimento assustador” no comunicado: “O crescimento das autocracias nacionalistas em países à volta do mundo”. “Os nossos maiores desafios exigem confiança e cooperação internacional, e um mundo dividido entre ‘nós contra eles’ deixará toda a humanidade mais vulnerável”, sublinhou.

No comunicado publicado no site, o coletivo de cientistas lembra que avisou há um ano que o mundo já estava “perigosamente perto do desastre global” e que “qualquer atraso em reverter a tendência aumentava a possibilidade de catástrofe“. Ora, para os responsáveis do relógio atómico, este aviso não foi ouvido de todo.

“A Rússia, a China, os Estados Unidos e outros países importantes tornaram-se, pelo contrário, cada vez mais agressivos, hostis e nacionalistas“, lê-se no comunicado, referindo-se que “demasiados líderes se tornaram complacentes e indiferentes” aos riscos criados, “adotando em muitos casos a retórica e políticas que aceleram em vez de mitigar estes riscos existenciais“.

Relógio do Juízo Final indica que mundo está mais próximo do fim do que nunca

“Devido a esta falha de liderança, o Conselho Científico e de Segurança do Boletim dos Cientistas Atómicos fixou hoje o Relógio do Juízo Final em 85 segundos para a meia-noite, o mais próximo que alguma vez esteve da catástrofe”, concluíram.

Ainda que a decisão aponte para a proximidade ao fim, o Boletim de Cientistas Atómicos, fundado por um grupo que incluía Albert Einstein e Robert J. Oppenheimer, aponta um caminho para afastar os ponteiros da meia-noite e de um eventual fim da humanidade.

O primeiro tópico está ligado à limitação de arsenais nucleares, especialmente do EUA e da Rússia, tendo apelado a que ambos os países “voltem ao diálogo” sobre esta matéria, numa altura em que o tratado New START, que limitava os arsenais dos estados signatários, deve expirar no próximo dia 4 de fevereiro.

Depois, os cientistas apelaram a que a “comunidade internacional” tome “todos os passos possíveis” para evitar “a criação de vida-espelho”, uma forma de bactérias construídas artificialmente e que pode ser usada, em conjunção com o uso de inteligência artificial.

O uso da AI no campo militar, “particularmente nos sistemas de comando e controlo nuclear”, também é uma preocupação dos cientistas, apelando aos EUA, à Rússia e à China para que “entrem em diálogo bilateral e multilateral” para definir “guias sérios”.

Sobre o combate às alterações climáticas, os pedidos são ainda mais diretos. “O Congresso dos Estados Unidos pode repudiar a guerra do Presidente Trump contra as energias renováveis, oferecendo, em vez disso, incentivos e investimentos que permitirão uma rápida redução do uso de combustíveis fósseis”, lê-se.

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