O Governo de Portugal disponibilizou esta quarta-feira dois milhões de euros ao Programa Alimentar Mundial (PAM) para a distribuição de 391 toneladas de óleo vegetal em províncias afetadas por ataques rebeldes em Moçambique.
Os dois milhões de euros são entregues àquela agência das Nações Unidas no âmbito da iniciativa “Grain from Ukraine“, através da qual o Governo português já contribuiu com sete milhões de euros para o PAM em Moçambique, desde 2023.
“Esperamos também que estas 391 toneladas que hoje simbolicamente vamos aqui apresentar, de produtos alimentares, nomeadamente óleo vegetal, sejam apenas um símbolo daquilo que verdadeiramente nos une”, disse Ana Isabel Xavier, Secretária de Estado de Negócios Estrangeiros e Cooperação, em Maputo.
O óleo vegetal, que fez “um longo caminho” da costa da Ucrânia, no mar negro, até ao Porto de Nacala, no norte de Moçambique, será distribuído pelo PAM nas províncias de Cabo Delgado e Nampula, no norte do país, afetadas por ataques de grupos terroristas.
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Para Ana Isabel Xavier, a contribuição representa “o compromisso do Governo de Portugal de continuar a apoiar [a iniciativa] ‘Food From Ukrain’, do Programa Alimentar Mundial” e, sobretudo, a intenção de continuar “ao lado dos moçambicanos em momentos tão críticos”.
“Portugal tem uma comunidade ucraniana muito significativa, por isso, é nossa obrigação moral, mas com muito gosto, que nos associamos sempre a toda e qualquer iniciativa que sirva para respeitar e defender os direitos do povo ucraniano. Mas fazê-lo em Moçambique, uma terra irmã, com os moçambicanos, nossos irmãos, é algo que nos orgulha ainda mais”, acrescentou a Secretária de Estado.
Ana Isabel Xavier disse ainda que Portugal orgulha-se de “estar em contracorrente e contraciclo” ao manter a cooperação para o desenvolvimento como “eixo primordial” da política externa e de envolvimento ativo com as Nações Unidas, numa altura em que muitos países estão a retrair a sua ajuda pública ao desenvolvimento e a assistência e apoio humanitário.
“A colaboração entre Portugal, o PAM, a Ucrânia e outros parceiros não é algo de novo. Estou confiante que irá continuar a ser reforçada, sempre em estreita articulação e colaboração com as autoridades moçambicanas (…). Asseguro a todos que poderão continuar a contar com Portugal”, concluiu.
A diretora do PAM em Moçambique, Claire Conan, agradeceu a solidariedade de Portugal, referindo que o cumulativo de apoio de cerca de sete milhões de euros, desde 2023, permitiu a assistência a mais de 660 mil pessoas em Nampula e Cabo Delgado.
“Numa altura em que muitos países estão a reduzir o financiamento para assistência humanitária, é verdadeiramente encorajador o compromisso contínuo de Portugal em apoiar famílias necessitadas”, disse Conan.
O programa “Grain from Ukraine” (Cereais da Ucrânia, em tradução livre) é uma forma alternativa para o escoamento, nomeadamente para países africanos, de cereais da Ucrânia, face à invasão russa, tendo a primeira edição sido lançada em novembro de 2022.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado a 5 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia, que se alastraram também para Nampula.
A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou 17 eventos violentos desde dezembro, envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram 13 mortos, elevando para 6.418 o total de óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório desta organização, dos 2.298 eventos violentos registados desde que começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.133 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
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