“Detesto perder muito tempo com isto, mas se vais escrever uma história negativa sobre a minha saúde, vou processar a New York Magazine“. O aviso é do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, numa entrevista à revista que ameaçou processar, falou sobre a sua saúde. Mas a mesma permitiu descobrir alguns detalhes mais privados.

“Sinto-me igual a há 40 anos”, afirmou Trump. A luz da tarde, relata a revista, que entrava pela janela durante a entrevista iluminava o que um dos seus assessores seniores chamou a sua “única concessão à idade”. O famoso cabelo do Presidente, outrora tingido de dourado, assume agora a sua cor natural aos 79 anos, o branco.

Outro dos sinais exteriores do avanço da idade surgem em forma de pedidos de repetição ou de gestos subtis, como quando Trump inclina o ouvido na direção do interlocutor, explica o jornalista. A audição, segundo um elemento sénior da sua equipa, já não será a mesma, embora o próprio Presidente não o reconheça. A fonte citada pela revista nova-iorquina refere que Trump se inclina com frequência para a frente e pede às pessoas que falem mais alto.

“Mas não preciso de cuidados médicos, porque estou com perfeita saúde. Faço exames médicos anualmente, porque acho que o povo americano deve saber que o presidente está saudável, para que não tenham um tipo como o anterior, que foi a pior coisa que já aconteceu aos idosos”, afirmou, numa referência ao antecessor de 83 anos, Joe Biden.

Apesar de demonstrar pouca abertura a que se questione a sua resistência ao tempo, Trump admitiu que, inevitavelmente, também ele terá o mesmo fim do “tipo anterior” — e que esse momento poderá não estar assim tão distante. No ano passado, em Mar-a-Lago, com as televisões a transmitirem as imagens do corpo do ex-Presidente Jimmy Carter no Capitólio, surpreendeu os presentes ao comentar “Sabem, dentro de dez anos, serei eu”, segundo uma fonte próxima citada pela revista.

Desde o início do segundo mandato, em janeiro de 2025, têm-se acumulado episódios que levantam dúvidas sobre a invencibilidade do Presidente “Super-humano”, como lhe chamou o vice-chefe de gabinete, Stephen Miller. Em diversos eventos públicos, Trump foi fotografado de olhos fechados durante breves momentos, imagens que deram origem a vários comentários nas redes sociais — situações desvalorizadas pelo círculo próximo do Presidente, que as descreve como “um mecanismo de escuta”.

Têm sido igualmente notadas marcas frequentes nas suas mãos, por vezes visíveis sob pensos ou maquilhagem. Numa deslocação a Davos, Donald Trump surgiu com um hematoma evidente, que a Casa Branca atribuiu a um embate acidental numa mesa. Em julho, fotografias revelaram inchaço nos tornozelos que os médicos presidenciais associaram a insuficiência venosa crónica, uma condição circulatória relativamente comum com o avançar da idade.

Embora a narrativa oficial permaneça irredutível, Trump evita prolongar o tema e demonstra desconforto quando é questionado sobre sinais físicos de desgaste. Em público, sublinha os exames médicos regulares a que se submete. “Fiz muitos deles”, disse numa cerimónia em meados de janeiro. “Tirei nota máxima em todos, porque bebo leite.”

Trump, que completa 80 anos de idade em 2026, tem falado com mais frequência sobre o pai. Segundo um alto responsável da Casa Branca citado pela New York, o Presidente recorda muitas vezes que foi só depois de se reformar que o Fred Trump “passou a parecer realmente velho”. Numa máxima, “reformar-se é expirar”.

Ao recordar o pai, que morreu aos 93 anos, sublinha uma vida longa, quase sem problemas de saúde. “Teve apenas uma coisa”, contou. “A certa altura, ali pelos 86, 87 anos, começou a ter… como é que se chama?”, disse, apontando para a testa, à procura da palavra que lhe faltava — “Alzheimer”, ajudou a porta-voz Karoline Leavitt. “Bem, eu não o tenho”, concluiu.

[Esta é a história de como dezenas de portuguesas se juntaram a mulheres de vários outros países e se tornaram seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Recrutadas numa escola de yoga em Lisboa, muitas acabaram em casas de massagens eróticas ou a serem filmadas em cenas de sexo e orgias. “Os segredos da seita do yoga” é o novo Podcast Plus, do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]