Henrique Gouveia e Melo, que ficou em quarto lugar nas primeira volta das presidenciais e teve quase 700 mil votos, vai votar em António José Seguro. O almirante explicou, num comunicado noticiado pelo Expresso, que encara a escolha como “um voto útil ao serviço de Portugal”, justificando que avaliou “o posicio­namento dos candidatos” e tem a “convicção de que um [André Ventura] se procura afirmar sobretudo como alternativa governativa”.

Ao longo da campanha, Gouveia e Melo fez várias críticas a António José Seguro, a quem chamou de “cházinho”, “sapo reciclado”, “líder fraco” e até “miss mundo”. Sugeriu ainda que o socialista iria para Belém para ser “oposição” ao Governo. No entanto, limitado agora a dois candidatos, Gouveia e Melo diz que vota em Seguro com “a mesma coerência democrática” que o leva a defender “uma Presidência suprapartidária, moderada, focada na estabilidade institucional e no interesse nacional — e não em agendas partidárias ou ambições futuras”.

O almirante já tinha dito na noite eleitoral que tomaria uma posição. “Mais tarde falarei quando achar que é oportuno”, tinha avisado. No entanto, também parecia preparado para voltar a tentar Belém em 2031: “Acreditei, e continuo a acreditar, na necessidade de despartidarizar a Presidência da República e devolver a esse cargo a natureza suprapartidária.”

Numa crítica a André Ventura, mas também aos políticos que nos últimos anos lideraram o famoso ‘sistema’, Gouveia e Melo diz, no mesmo comunicado citado pelo Expresso, que “é preocupante o crescimento do radicalismo e da polarização da sociedade portuguesa, alimentados por incapacidades e desresponsabilização política, por desigualdades persistentes, falta de oportunidades, dificuldades sociais profundas, falsas perceções propagadas nas redes sociais e nos media, e por uma justiça lenta que mina a confiança dos cidadãos.”

À semelhança do que foi dizendo na campanha, Gouveia e Melo não esquece o contexto internacional ao defender que “países como Portugal, pequenos, mas com relevância estratégica, não podem ficar reféns da lógica da força” e apela a “um alinhamento atlântico e europeu firme, mas também de autonomia, pensamento crítico e capacidade própria.”

Depois de João Cotrim Figueiredo o sugerir e Marques Mendes o afirmar, esta declaração de voto almirante, permite ao socialista contar com o voto três dos três candidatos mais votados que não passaram à segunda volta, aos quais ainda se juntam Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto.

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