Já aconteceu no apagão de 28 de abril e repetiu-se nos apagões que estão a afetar Leiria e outros concelhos da região centro. Quando a falha de eletricidade se prolonga por horas, o efeito propaga-se a outros serviços essenciais, como o abastecimento de água.

Houve interrupções no fornecimento de água durante (e após) o apagão em várias zonas do país. Porquê?

Os sistemas do fornecimento de água precisam de energia, sobretudo para alimentar as bombas que são necessárias para elevar as águas a pontos da rede de distribuição em alta ou em baixa que se localizam em quotas superiores àquelas onde estão as captações e reservas de água.

Se os pontos a abastecer estão abaixo da quota do reservatório conseguem ser abastecidos por via da força da gravidade. Mas, para fornecer água ao que estiver acima, a água tem de ser elevada com eletrobombas. Ou seja, quase todos os sistemas com estações elevatórias recorrem a bombas elétricas para elevar a água, explica ao Observador Ana Margarida Luís, administradora da Águas de Portugal.

A resistência dos sistemas de água à falta de eletricidade varia em função da necessidade do recurso a bombas, mas também de outros fatores como a dimensão das reservas cujo principal objetivo é assegurar o abastecimento em casos de avarias. Quando essas reservas se esgotam e não há eletricidade, a bombagem tem de ser assegurada por gerador.

O abastecimento de água está dividido em dois sistemas. O da alta onde é feita a captação e tratamento e o da baixa a partir do qual se faz a distribuição de água à população e onde operam os serviços municipalizados ou empresas concessionárias. O grupo Águas de Portugal atua nos sistemas em alta e já está a recorrer a geradores para garantir o abastecimento à região de Leiria. No entanto, persistem problema de distribuição em baixa dessa água que é uma competência dos SMAS (Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento) de Leiria.

Os geradores podem ajudar a ultrapassar o problema quando a falta de fornecimento se deve à incapacidade de bombear água e regularizar a pressão para estações elevatórias quando as redes de abastecimento estão a um nível mais elevado. Mas a sua eficácia depende da dimensão do sistema.

O presidente da E-Redes, José Ferrari Careto, afirmou que a empresa que gere as redes de distribuição está concentrar geradores na região de Leiria para tentar fornecer energia a alguns pontos de receção antes das redes estarem energizadas (a transmitir eletricidade). Estas prioridades são hospitais, mas também o abastecimento de água.

A bombagem também pode ser necessária nos sistemas de saneamento básico, mas nestes casos as situações de cheia tendem a ser mais prejudiciais. Isto porque as infraestruturas de saneamento, nomeadamente ETAR, estão geralmente localizadas em zonas baixas e em ligação direta com linhas de água. Os coletores estão dimensionados para os caudais domésticos e não conseguem acolher o aumento expressivo de fluxos resultantes de águas pluviais, sobretudo quando partilham o mesmo canal.

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