A economia portuguesa cresceu 1,9% em 2025, segundo a estimativa rápida do INE (Instituto Nacional de Estatísticas), divulgada esta sexta-feira. O valor fica, assim, abaixo dos 2% ambicionados pelo Governo. Estes valores ainda estão sujeitos a confirmação, devendo os resultados detalhados ser divulgados pelo organismo estatístico a 27 de fevereiro. O crescimento da economia em 2025 beneficiou do consumo privado e do investimento que compensaram os fatores externos, impactados por uma situação geopolítica desafiante.
O Governo e o Banco de Portugal eram os únicos a apontarem para um crescimento de 2%. As restantes entidades — FMI, OCDE, Comissão Europeia, CFP, projetavam um crescimento para o conjunto do ano de 1,9%.
Segundo o INE, a variação anual do PIB conseguiu ter um impulso do consumo privado e do investimento (mas neste caso por via dos stocks e não tanto do gasto). A procura interna manteve assim a economia a crescer perto dos 2%, já que o contributo da procura externa foi mais negativo em 2025, nomeadamente pela desaceleração das exportações.
“A procura interna apresentou um contributo positivo para a variação anual em volume do PIB, superior ao observado no ano anterior, refletindo a aceleração do consumo privado e do investimento. O contributo da variação de existências passou a positivo enquanto a formação bruta de capital fixo registou um abrandamento. O contributo da procura externa líquida foi mais negativo em 2025, tendo as exportações de bens e serviços em volume desacelerado de forma mais pronunciada que as importações de bens e serviços”, indica o INE.
Em 2024, e depois de ter revisto os números em setembro, a economia portuguesa cresceu 2,1%.
No quarto trimestre, o PIB subiu, em termos homólogos, 1,9%, desacelerando face aos 2,3% do terceiro trimestre. E em cadeia subiu 0,8%, acelerando ligeiramente face aos 0,7% do trimestre anterior. Esta subida em cadeia é, mesmo, a maior de todo o ano — a evolução em cadeia no primeiro trimestre foi negativa em 0,3%, seguindo-se subidas, em cadeia, de 0,7% quer no segundo quer no terceiro trimestres.
O INE reviu os dados em relação ao terceiro trimestre, explicando que “a incorporação de nova informação primária no apuramento da estimativa rápida do PIB, incluindo as estatísticas do comércio internacional de bens para o terceiro trimestre de 2025, implicou a revisão em -0,1 pontos percentuais das taxas de variação homóloga e em cadeia do PIB para o terceiro trimestre de 2025, divulgadas na edição das Contas Nacionais Trimestrais por Setor Institucional de 23 de dezembro de 2025″.
Assim, a componente interna, mesmo com os estímulos aos rendimentos dados pela descida das tabelas de retenção de IRS e pelo suplemento aos pensionistas que em 2025 aconteceu no terceiro trimestre, levou a que no quarto período de três meses do ano houvesse uma desaceleração no consumo privado e no investimento face ao período homólogo (em 2023 esses estímulos tomaram forma no quarto trimestre). Para os valores do quarto trimestre também contribuiu uma redução nas exportações de bens e serviços, ainda assim compensado, um pouco, pela desaceleração das importações, nomeadamente pela diminuição das transações de produtos petrolíferos. E, assim, indica o INE, “o contributo negativo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB foi menos acentuado”.
Na comparação em cadeia, ou seja do quarto trimestre face ao terceiro trimestre, o PIB acelerou 0,8%, mais 0,1 pontos que no terceiro trimestre, com o contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB a passar a positivo, “refletindo uma redução acentuada das importações de bens e serviços, devido, em grande medida, ao já referido comportamento das transações de produtos petrolíferos”. No entanto, o contributo da procura interna “passou a negativo, verificando-se uma redução significativa do investimento e uma desaceleração do consumo privado”.
As estimativas dos economistas apontavam para um crescimento entre 1,9% e 2% em termos homólogos para o conjunto do ano e entre 1,7% e 2,1% no quarto trimestre. Já em cadeia no último trimestre as projeções apontavam para uma subida entre 0,5% e 0,9%, segundo a Lusa.
Portugal cresce acima da zona euro
A zona euro cresceu, em termos homólogos, 1,5% em 2025, com o crescimento no conjunto da União Europeia a atingir os 1,6%. Em ambos os casos abaixo do que Portugal conseguiu.
Segundo dados do Eurostat, divulgados também esta sexta-feira, no quarto trimestre o crescimento na zona euro foi de 1,3% e na União foi de 1,4%. Em cadeia o crescimento foi de 0,3% nos dois blocos.
Em Espanha, que também divulgou a projeção esta sexta-feira, o PIB em 2025 cresceu 2,8%. O último trimestre acelerou no caso do país vizinho. Em cadeia apurou o mesmo crescimento que Portugal — 0,8% — o maior ritmo trimestral do ano, tal como aconteceu em Portugal. Também a Alemanha anunciou uma subida do PIB no quarto trimestre, de 0,3% em cadeia e de 0,4% em termos homólogos.
De acordo com os dados do Eurostat, que dá os valores para 15 países, Portugal está na segunda posição em aumento do PIB em cadeia no quarto trimestre, só superado pelos 1,7% de crescimento da Lituânia. Espanha e Portugal ficaram assim nessa segunda posição. Em termos homólogos, Portugal ficou abaixo da Chéquia, da Irlanda, de Espanha e da Lituânia.