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"Pensar em grande": após contestação de artistas, Trump anuncia encerramento do Kennedy Center para obras durante dois anos

Este artigo tem mais de 6 meses

Depois de boicotes e cancelamentos, Trump e o presidente do centro de congressos, seu aliado, dizem querer “pensar em grande”. As “renovações históricas” vão encerrar o espaço durante dois anos.

epa12605254 People walk by new signage showing US President Donald J. Trump's name above former President John F. Kennedy's on the John F. Kennedy Memorial Center for the Performing Arts building, in Washington, DC, USA, 20 December 2025. Kennedy Center's board of trustees, hand-picked by President Trump, voted to rename the institution 'The Donald J. Trump and The John F. Kennedy Memorial Center for the Performing Arts.' While the center has already updated its branding and building signage, a formal name change would likely require an Act of Congress.  EPA/SHAWN THEW
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▲No mês passado, Trump revelou a intenção de alterar o nome do edifício, propondo que a fachada principal passasse a exibir primeiro o seu próprio nome, relegando o de Kennedy para segundo plano, além de defender mudanças na orientação artística da programação

SHAWN THEW/EPA

▲No mês passado, Trump revelou a intenção de alterar o nome do edifício, propondo que a fachada principal passasse a exibir primeiro o seu próprio nome, relegando o de Kennedy para segundo plano, além de defender mudanças na orientação artística da programação

SHAWN THEW/EPA

Dias depois da estreia do documentário da primeira-dama, Melania, no Kennedy Center, Donald Trump escolheu uma das noites mais mediáticas da cultura norte-americana — a cerimónia dos Grammy Awards, no domingo, em Los Angeles — para anunciar que o complexo vai encerrar para obras durante dois anos apesar de, em outubro do ano passado, ter garantido que o centro permaneceria aberto durante as renovações. O último dia de funcionamento vai ser a 4 de julho, Dia da Independência dos Estados Unidos, no ano em que o país assinala o seu 250.º aniversário, noticiou o Wall Street Journal.

Após “uma revisão de um ano realizada com empreiteiros, especialistas musicais, instituições artísticas e outros consultores e assessores”, escreveu Trump na Truth Social, a decisão foi avançar com uma intervenção profunda que implicará a suspensão total da atividade artística.

“Determinei que a maneira mais rápida de levar o Trump Kennedy Center ao mais alto nível de sucesso, beleza e grandeza é cessar as operações de entretenimento por um período de aproximadamente dois anos, com uma grande reabertura programada que rivalizará e superará tudo o que já aconteceu com relação a tal instalação anteriormente”, afirmou.

Desde o seu regresso à Casa Branca, Trump tem procurado assumir o Kennedy Center como um símbolo pessoal. A sua intervenção na instituição — que nasceu como um centro cultural nacional e foi posteriormente designada pelo Congresso como um “memorial vivo” ao Presidente John F. Kennedy, após o seu assassinato — desencadeou uma onda de protestos e boicotes por parte de artistas, público e doadores.

A decisão do Presidente apanhou parte da estrutura do Kennedy Center de surpresa: no domingo, alguns funcionários e até um membro do conselho de administração disseram ter tomado conhecimento do encerramento através do anúncio público de Donald Trump.

Esta nova instabilidade soma-se às mudanças já sentidas ao longo do último ano, período em que dezenas de trabalhadores — muitos com carreiras de várias décadas ligadas à programação artística — foram despedidos ou optaram por abandonar a instituição, como noticiou o New York Times.

No mês passado, Trump revelou ainda a intenção de alterar o nome do edifício, propondo que a fachada principal passasse a exibir primeiro o seu próprio nome, relegando o de Kennedy para segundo plano, além de defender mudanças na orientação artística da programação.

Entretanto, várias instituições começaram a afastar-se. A Washington National Opera anunciou no final do ano passado que rompia a ligação ao centro. Já a National Symphony Orchestra, outra das principais âncoras de música clássica da casa, tem atuado perante salas quase vazias, avançou o mesmo jornal.

Compositor Philip Glass cancela estreia de sinfonia no Kennedy Center

Meses antes, em março de 2025, Trump visitara o Centro John F. Kennedy para as Artes Performativas, em Washington, poucas semanas depois de assumir o controlo da instituição. Durante a visita, descreveu o edifício como estando num estado de “grande deterioração”, segundo o NYT, e deixou claras as suas ideias para o futuro da programação.

Depois de o musical Hamilton ter cancelado uma atuação prevista para este ano naquele espaço — em protesto contra a nova liderança —, Trump desvalorizou o espetáculo, afirmando nunca ter sido “grande fã” da produção. Recordando ambições antigas, contou que, na juventude, sonhava com uma carreira como produtor na Broadway. Segundo afirmou na altura, essa seria a nova orientação do Kennedy Center: apostar sobretudo em grandes sucessos comerciais da Broadway.

Na mesma visita, Donald Trump mostrou-se também particularmente crítico em relação às colunas exteriores do edifício, que, na sua opinião, deveriam ser revestidas com materiais como mármore ou granito. O objetivo, afirmou, é “trazê-lo para os tempos modernos”.

Em reação ao comentário de domingo de Trump, Maria Shriver, da família de John F. Kennedy, disse que “artistas estão a cancelar aos montes” e que o Presidente fez com que “desde a mudança de nome, ninguém mais se queira apresentar lá”.

Ric Grenell, atual presidente do centro, juntou-se ao aliado e defendeu a necessidade das obras, falando num “encerramento breve”. “Esta renovação é extremamente necessária e o encerramento temporário do Centro faz todo o sentido — permitir-nos-á investir melhor os nossos recursos, pensar em grande e tornar as renovações históricas mais abrangentes. Significa também que terminaremos mais rapidamente”, escreveu Grenell no X.

A mais recente grande intervenção no Kennedy Center — uma ampliação concluída em 2019 com o custo de 250 milhões de dólares (209 milhões de euros) — foi conduzida durante a presidência de Deborah Rutter, que deixou o cargo pouco depois da tomada de posse de Trump, segundo o jornal nova-iorquino.

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