A queda nas vendas e, sobretudo, a contínua redução do interesse dos consumidores chineses em adquirir os modelos da Porsche, mercado que representava mais de 30% das vendas globais da marca e que, em 2025, caiu para apenas 15%, tem danificado a saúde financeira do construtor alemão. Para reequilibrar as finanças, o recém-nomeado CEO Michael Leiters tem de cortar nos custos e, segundo a Reuters, tudo indica que há projectos que vão ser abandonados, com destaque para os 718 Cayman e Boxster eléctricos, que começaram a ser desenvolvidos em 2022 e que, de acordo com as últimas informações, deveriam chegar ao mercado em 2026, substancialmente depois do que esteve originalmente previsto, em virtude de inúmeros atrasos.
Após lançar no mercado os modelos eléctricos Taycan, Macan e Cayenne, a Porsche preparava-se para introduzir ainda este ano ou, no mínimo, no início de 2027, os novos 718 Cayman e Boxster 100% eléctricos que, tal como os restantes modelos a bateria do construtor, utilizam plataformas específicas para este tipo de tecnologia, nada herdando dos seus “irmãos” com motores a combustão. Estes últimos, com motorizações a gasolina, a gasóleo ou híbridas, continuarão a ser vendidos, do Cayenne ao 911, passando pelo Panamera, mas o Macan e ambos os 718, tanto o Boxster como o Cayman, deixarão de poder ser comercializados, pelo menos no mercado europeu, uma vez que são de concepção mais antiga e não respeitam as exigências de cibersegurança.
Falhas na cibersegurança liquidam Porsche 718 Cayman e Boxster
A retirada do mercado do Macan a combustão — decisão entretanto já revertida —, bem como dos 718 Cayman e Boxster a gasolina, bem como a não substituição por modelos mais recentes e legais, foi uma decisão exclusiva da administração. Esta considerou ser mais rentável retirar os três modelos do mercado, sobretudo do europeu, do que conceber uma novas gerações que cumprissem os requisitos impostos pela cibersegurança, o que exigiria maiores investimentos, similares aos realizados pelos concorrentes que também tiveram de actualizar os seus modelos.
Ao contrário do que poderia acontecer com o Macan, que tanto na versão a combustão como na eléctrica recorre a plataformas e arquitecturas desenvolvidas também para os Audi com as mesmas tecnologias, os dois 718 são um caso à parte, uma vez que não há outras marcas do Grupo Volkswagen a produzirem coupés e descapotáveis pequenos com motor central traseiro. Isto obriga a Porsche a ter de suportar sozinha todos os custos de concepção e desenvolvimento, trabalho que já está praticamente terminado (e pago), uma vez que os 718 a bateria estão a menos de um ano de começarem a ser entregues a clientes.
Por outro lado, para voltar a vender 718 a gasolina na Europa, a Porsche tem de investir num sucessor do modelo que abandonou devido à cibersegurança, o que pode ser um custo elevado para dois modelos que, em conjunto, representam apenas 7% do total das vendas da marca. A Porsche tem-se recusado a comentar a “morte” dos 718.