A quase totalidade das casas de primeira habitação no concelho de Alvaiázere, no distrito de Leiria, sofreu danos devido à depressão Kristin, afirmou este sábado à agência Lusa o presidente do município. Em Pedrógão Grande, estima-se que 80% tenham ficado danificadas.
“O nosso parque habitacional, em termos de casas de primeira habitação, são cerca de 3.500. De uma forma ou de outra, eu diria que 3.499 tiveram algum tipo de dano. Eu ainda não vi nenhuma que não tivesse sofrido um dano mais ligeiro ou mais grave”, afirmou João Paulo Guerreiro, o autarca de Alvaiázere.
O autarca admitiu que possa existir “alguma habitação que não tenha sofrido danos”, mas confessou não ter ainda encontrado. Segundo João Paulo Guerreiro, o levantamento da destruição está a ser feito via terrestre com uma equipa dos bombeiros, enquanto outra da Guarda Nacional Republicana fez “o varrimento aéreo do concelho através de drones”.
“Em princípio, [talvez] a partir da amanhã [domingo], se consiga ter estes dois instrumentos muito importantes de avaliação”, declarou.
Num ponto de situação sobre o estado do concelho 11 dias após ter sido gravemente afetado pelo mau tempo, o autarca salientou, além do “muito prejuízo material”, o emocional, assumindo que a autarquia ainda não conseguiu dar resposta a todas as situações, mas, nesta fase, já acudiu aos munícipes em situação de maior vulnerabilidade. “Tivemos uma devastação de mais de 95% das nossas infraestruturas, sejam habitações, sejam empresas, sejam edifícios públicos”, assinalou.
Elencando o trabalho já desenvolvido no âmbito da proteção das casas danificadas, com destaque para as pessoas em situação de fragilidade, o autarca adiantou que continua o trabalho de distribuição de alimentos para as que “sofreram mais devastação”.
Quanto à energia elétrica, falta a reposição numa das cinco freguesias, esclareceu, esperando que tal ocorra a curto prazo através de geradores. “Esperamos, ansiosamente, que, rapidamente, sejam disponibilizados os geradores que faltam. São cerca de 20 para conseguirmos dar resposta a quase toda a população”, explicou.
Também segundo o presidente do Município de Alvaiázere, a E-Redes, apesar dos apelos, “não colocou ainda equipas da baixa tensão a fazerem o trabalho de ligação das habitações à rede de energia que já está com carga” e, no âmbito das comunicações, “houve uma ligeira melhoria”, mas subsistem “muitos problemas”.
Onze dias volvidos após a depressão, o concelho já devia estar melhor, considerou o autarca, para sublinhar que, pelo menos, se consegue falar com os operadores de telecomunicações. “A boa notícia é que conseguimos que a rede de abastecimento de água não colapsasse e, neste momento, está totalmente restabelecida e a funcionar normalmente”, adiantou o presidente da câmara.
Pedrógão Grande: 80% das casas foram afetadas
O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, concelho do distrito de Leiria também gravemente afetado pelo mau tempo, estimou este sábado que 80% das casas tenham sido afetadas pelo mau tempo. “Temos milhares de casas afetadas, 80% estão afetadas”, disse à agência Lusa João Marques, adiantando que estão instalados cerca de 3.700 contadores de água no concelho.
Questionado sobre o estado do concelho 11 dias após o impacto da depressão Kristin, o autarca declarou que está um “bocadinho melhor”, notando, contudo, que a ajuda prestada à população ainda “é um socorro muito débil”. “Estamos a pôr lonas, plásticos, a repor telhas naquelas situações menos graves em que há telhas disponíveis”, explicou o presidente do município, salientando o espírito de entreajuda que permitiu, a muitas famílias, com ajuda de vizinhos resolverem os casos menos graves.
Por outro lado, realçou o trabalho dos funcionários da autarquia, bombeiros, Guarda Nacional Republicana, população, onde se contam muitos estrangeiros, e voluntários que chegam ao concelho.
A título de exemplo, adiantou que um grupo de pessoas oriundas dos Estados Unidos da América está em Pedrógão Grande e, na próxima semana, junta-se outro de cabo-verdianos que estudaram na escola profissional local. “É um movimento de voluntariado extraordinário”, considerou o autarca.
De acordo com João Marques, o “grande problema” continua a ser a falta de eletricidade numa parte do concelho, agravada com furtos de material elétrico. “Temos zonas no concelho que já tiveram energia e que deixaram de ter por causa destes roubos”, afirmou, assegurando que as autoridades estão atentas, mas é necessária “vigilância em relação às infraestruturas elétricas”.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.