Depois de décadas a ser a referência entre os desportivos com motor a combustão, a Ferrari inicia a apresentação gradual do primeiro veículo eléctrico, revelando que não exibirá a denominação Elettrica, como se chegou a pensar, mas sim Luce (luz, em italiano), e que extrairá uma potência superior a 1000 cv dos seus quatro motores. Simultaneamente, o construtor fundado em 1939 por Enzo Ferrari fez saber que o modelo será apresentado em Março, com as entregas a clientes a estarem agendadas para Outubro, contra um investimento inicial que rondará 500.000€.
A cerca de um mês de mostrar integralmente o Luce, a Ferrari revelou como vai ser o banco, o tablier e a consola central, sendo evidente um certo regresso ao passado, optando por uma solução clássica mas de leitura fácil, ou não tivesse sido ela concebida por Sir Jony Ive, o antigo responsável pelo design da Apple. Além de legível e com um estilo old school, abundam os comandos por botões, para assegurar acesso directo às funções mais utilizadas e evitar navegar através de uma série de menus até chegar à informação pretendida.
O Ferrari Luce marca a incursão da casa do Cavallino Rampante pela tecnologia eléctrica, uma área ainda desconhecida para os técnicos italianos, apesar de já venderem a maioria dos seus veículos electrificados com mecânicas híbridas ou híbridas plug-in, mantendo o motor a combustão como elemento principal. Em vez de confiar num motor a combustão, o Ferrari Luce monta quatro motores eléctricos, cada um associado à sua roda, com os da frente a fornecerem 143 cv cada, enquanto os traseiros debitam 421,5 cv. Tudo junto, com 286 cv à frente e 421,5 cv atrás, o Luce coloca à disposição do condutor um total de 1129 cv.
Para alimentar os motores eléctricos, o construtor italiano recorre a uma generosa bateria com uma capacidade total de 122 kWh e um peso de 625 kg, com uma tensão nominal de 800V para permitir recarregar a 350 kW, enquanto garante uma autonomia de 530 km em WLTP. E esta é uma boa autonomia para um desportivo da Ferrari de características familiares, uma vez que o Purosangue, o crossover de quatro portas do construtor com motor 6.5V12 a gasolina, com 725 cv, apesar dos 100 litros do depósito, anuncia um consumo médio de 17,3 l/100km, o que deixa antever uma autonomia de 578 km entre visitas à bomba.
Para quem possa pensar que o Ferrari eléctrico é mais lento do que os seus irmãos a gasolina, é bom ter presente que o Luce reivindica ser capaz de franquear a barreira dos 100 km/h em apenas 2,5 segundos, para depois atingir 310 km/h de velocidade máxima. Se a velocidade é similar à conseguida pelo Purosangue, a rapidez na aceleração é confortavelmente melhor, uma vez que o crossover se fica pelos 3,3 segundos. Atrás do Luce, em capacidade de aceleração, ficam igualmente os Ferrari 296 GTB (829 cv, 330 km/h e 2,9 segundos de 0-100km/h) e o F8 Tributo (721 cv, 340 km/h e 2,9 segundos de 0-100 km/h).