A morte de seis pessoas ligadas a uma organização de proteção ambiental nas montanhas do noroeste da Bulgária está a confundir a polícia, que fala num caso “sem qualquer comparação” no país. As circunstâncias confusas do caso levaram o procurador-geral interino, Borislav Sarafov, a comparar o mistério ao enredo da série “Twin Peaks“, de David Lynch, noticiou a agência búlgara BTA.

O caso começou no passado dia 2 de fevereiro quando três membros da organização não-governamental (ONG) Agência de Controlo de Áreas Protegidas foram encontrados mortos com ferimentos de bala no exterior de uma pousada florestal em Petrohan, uma passagem nas montanhas do oeste da Bulgária.

Em imagens de vídeo-vigilância datadas do dia anterior e que mostram o exterior do edifício, as seis vítimas são vistas a despedirem-se umas das outras, dizendo “Foi uma honra”. Mais tarde, à noite, as três pessoas que acabaram por ser encontradas na pousada no dia a seguir são vistas em vídeos a pegar fogo à estrutura, indicou o chefe da polícia criminal, Angel Papazov.

Três outras pessoas ligadas à organização tinham sido também dadas como desaparecidas, incluindo o dono da pousada e presidente da ONG, Ivaylo Kalushev, e um rapaz de 15 anos. Segundo a Reuters, só o rapaz não vivia naquela habitação na floresta, sendo “o filho de um amigo”.

Este domingo, os três desaparecidos foram encontrados mortos com ferimentos de bala numa caravana parada no monte Okolchitsa, a mais de 70 quilómetros da base da organização. Junto aos corpos estavam quatro cartuchos, duas pistolas e uma espingarda. Numa nova atualização das autoridades na segunda-feira, a polícia de investigação concluiu, após uma análise forense, que os tiros terão sido disparados à queima roupa, podendo mesmo ser “auto-infligidos”. 

Os contornos da própria ONG são pouco claros. Destinada à proteção ambiental, a Reuters noticia que alguns testemunhos apontam para um papel mais ativo da plataforma em que os seus elementos funcionariam mais como “guardas florestais” que ajudavam, inclusive, ao controlo na fronteira ocidental da Bulgária. Na conferência de imprensa no passado dia 4, o procurador-geral interino do país tinha acusado a ONG de tentar “assumir os poderes das instituições estatais para prosseguir a sua própria política e atividade“.

A estalagem onde ONG tinha a sua base, contou ainda Papazov, estava decorada de símbolos budistas tibetanos e, quem lá ficasse, tinha de fazer “práticas religiosas” por várias horas todos os dias. A BTA informa ainda que Kalushev tinha enviado uma mensagem à sua mãe dando a entender que tinha intenções suicidas e que “dezenas de testemunhas” foram interrogadas pelas autoridades.

Em conferência de imprensa, a procuradora distrital de Sófia, Natalia Nikolova, informou que as autoridades estão a investigar duas principais teses: suicídio coletivo ou homicídio e subsequente suicídio.

No domingo, o comissário-chefe da Diretoria Nacional da Polícia, Zahari Vaskov, afirmou também que a versão de que a ONG era “uma sociedade fechada com elementos de uma seita” continuava a não poder ser excluída.

Porém, até as as autoridades chegarem a uma conclusão, ainda vai demorar. “Processualmente, as ações de investigação vão continuar por bastante tempo“, avisou o comissário sénior da polícia, Krasimir Yonchev, também no domingo.

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