As chances de avistar um tubarão branco são excecionalmente baixas, especialmente no mar Mediterrâneo, mas, em 2023, um grupo de pescadores capturou um exemplar, de forma acidental, com cerca de dois metros, invulgarmente perto da costa de Alicante, avançou o El País.
O tubarão, que morreu ao ficar preso nos equipamentos de pesca da embarcação, foi de seguida analisado por investigadores do Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO-CSIC), em colaboração com a Universidade de Cádiz (UCA), antes de ser lançado ao mar, acrescentou o site de notícias espanhol, AS.com,
A captura torna-se ainda mais invulgar, considerando que o animal, de entre 80 e 90 quilos, foi apanhado muito perto da costa, dentro da Zona Econômica Exclusiva de Espanha. Este território marítimo estende-se até 200 milhas náuticas da costa e os tubarões, uma espécie solitária, tendem a evitar as águas rasas, com medo de “encalhar”.
El Instituto Oceanográfico confirma un nuevo registro de tiburón blanco en el Mediterráneo español https://t.co/sFmGahgc3X pic.twitter.com/oKuvu99rf7
— EL PAÍS (@el_pais) February 10, 2026
“Eles têm medo de encalhar; geralmente estão desorientados, perdidos ou doentes” quando o fazem, explica José Carlos Báez, invetigador do IEO-CSIC, que registou as fotografias e os vídeos do tubarão, e procedeu à análise genética que confirmou que se tratava de um exemplar “jovem”.
Este caso reveste-se de particular importância científica. Segundo Baez, “A presença de indivíduos jovens fornece informações essenciais sobre a estrutura demográfica da espécie, especialmente no caso de populações classificadas como vulneráveis”, como o tubarão branco.
Desde meados do século XIX até o dia de hoje (1862–2023), os investigadores analisaram um total de 66 avistamentos da espécie no mar Mediterrâneo, sendo os avistamentos por humanos algo “excecionalmente raro”.
A espécie não apresenta um risco significativo para os humanos, acrescenta o investigador, indicando que foram apenas registados dois ataques na costa espanhola, com um morto em 1862 e um surfista gravemente ferido, em 1980.
Por outro lado, o estudo enfatiza que ainda é muito cedo para determinar se existem áreas de reprodução associadas às águas espanholas, uma questão que necessitará de programas específicos de monitoramento a longo prazo, alerta Báez.
Para além de ser uma das espécies marítimas mais emblemáticas do mundo, o grande tubarão branco cumpre um papel decisivo no equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Segundo o principal autor do estudo, os “grandes predadores marinhos” são essenciais para manter a estabilidade do mar. Como espécie altamente migratórias, acabam por ligar “diferentes regiões do oceano” e contribuem para a “saúde do ambiente marinho”, concluiu o investigador.
A investigação reforçou, por último, a necessidade de se investir em mais programas de monitorização e conservação que aprofundem o conhecimento sobre esta espécie no Mediterrâneo e permitam uma gestão sustentada em dados científicos.
Texto editado por Dulce Neto