Viktor Gyökeres continua de pé quente em 2026. O avançado sueco tem estado em grande no novo ano e começa a justificar o investimento feito pelo Arsenal no verão, quando pagou cerca de 65 milhões de euros ao Sporting pelo seu passe, num negócio que pode chegar aos 76 milhões. No último fim de semana, o jogador de 27 anos voltou a fazer das suas na receção ao Sunderland e somou mais bis em nova vitória dos gunners (3-0). Desta forma, Gyökeres passou a ser o jogador da Premier League que mais esteve envolvido em golos neste arranque de 2026, se considerarmos todas as competições: chegou a esta 26.ª jornada com seis golos e duas assistências nos últimos oito jogos. Para além disso, o ex-leão superou, desde já, os números de Dennis Bergkamp, lenda dos londrinos, na sua época de estreia (dez golos em 32 jogos, “contra” os 13 tentos do sueco em igual número jogos).

Apesar de ter melhorado consideravelmente o seu rendimento desportivo, Viktor Gyökeres continua a colecionar várias críticas junto da opinião pública inglesa, embora haja cada vez mais comentadores e ex-jogadores do Arsenal “rendidos” ao seu perfil. “Tenho sido o presidente do clube de fãs do Gyökeres desde que ele chegou. Houve muita negatividade por parte de ex-jogadores. Eu apenas disse que ele precisava de tempo para se adaptar. Gyökeres era o homem-chave do Sporting. Quase que mandava em tudo no Sporting e dizia aos jogadores o que queria. No Arsenal é um nível diferente e é julgado de outra forma. Nos seus primeiros 32 jogos pelo Arsenal, marcou mais golos do que Thierry Henry e Dennis Bergkamp. Sei que ele tem tudo para melhorar e é o nosso melhor marcador. Tem 13 golos e vai evoluir. Dá-nos uma alternativa completamente diferente, que foi exatamente o que fez quando entrou [contra o Sunderland]”, explicou Perry Groves, antigo avançado dos gunners e campeão inglês em 1989 e 1991.

“O que mudou? Provavelmente a energia e a confiança. Quando se começa a marcar e a fazer assistências, provavelmente acredita-se que isso vai acontecer com mais frequência e a probabilidade de isso acontecer aumenta. Acho que fisicamente também mudou, depois da lesão. Quando se lesionou, teve os seus melhores jogos antes desse período. Quando recuperou e ficou disponível, teve uma sequência de bons jogos. Acho que tudo melhorou e agora está a dar certo. Vitória do Man. City frente ao Liverpool? Compreendo [a frustração], mas são coisas que não podemos controlar. Temos de nos focar em nós, no presente e no que vem a cada três dias, e simplesmente desfrutar disso. Brentford? É mais um jogo difícil. Conhecemos o Brentford em casa, os últimos resultados que tiveram e a equipa técnica tem sido fantástica. Mérito para eles porque são uma equipa de topo”, explicou Mikel Arteta na antevisão ao duelo desta quinta-feira.

Neste jogo com o Brentford, que não passou de mais um dérbi da capital inglesa, o Arsenal entrou em campo com o rival de Manchester a apenas três pontos de distância, mas com a possibilidade de voltar a alargar a distância. Nesse sentido, Mikel Arteta lançou o onze base, com Viktor Gyökeres a comandar as operações no ataque, ao lado de Leandro Trossard e Noni Madueke. Para além do sueco, Cristhian Mosquera, Piero Hincapié e Eberechi Eze foram novidades no onze. O capitão Martin Odegaard, que falhou as últimas partidas, regressou de lesão, mas começou por se sentar no banco de suplentes.

No Gtech Community Stadium, no oeste de Londres, os gunners entraram com mais bola, como é seu apanágio, mas esteve longe de controlar o jogo contra uns bees com um futebol ofensivo rápido e direto. A primeira ocasião do jogo saiu das mãos de David Raya, que falhou o passe para Declan Rice e colocou a bola em Mathias Jensen, que cruzou e, de cabeça, Igor Thiago desviou para uma grande defesa do espanhol (22′). Até ao intervalo, o cenário pouco mudou, com a primeira parte a terminar com apenas dois remates e um Arsenal a precisar de fazer muito mais para chegar à vitória (1-1).

Para a segunda parte, Arteta lançou de imediato Odegaard no lugar de Eberechi Eze e os londrinos regressaram com outra cara, com Gyökeres a rematar com perigo, logo nos primeiros minutos, contra a defesa (48′). Pouco depois, Hincapié subiu na lateral esquerda e cruzou para a área, Madueke ganhou nas alturas e cabeceou cruzado para o golo inaugural, no primeiro remate enquadrado do Arsenal (61′). Na resposta, Keane Lewis-Potter apareceu a concluir um canto ao segundo poste, mas a bola saiu ao lado (64′), com Thiago a ganhar a Gabriel Magalhães e a finalizar para um mergulho decisivo de Raya (67′). Já com Bukayo Saka, em campo, Michael Kayode cobrou um lançamento longo para a área, Sepp van den Berg desviou e, ao segundo poste, Lewis-Potter encostou para o empate (71′).

Com o jogo relançado, Mikkel Damsgaard, Jordan Henderson, Gabriel Martinelli e Riccardo Calafiori foram lançados em campo e, já perto do minuto 90, Igor Thiago voltou a aparecer isolado, mas quando se preparava para finalizar, Mosquera fez um grande corte e impediu o remate (88′). Pouco depois, o brasileiro voltou a entrar perigo na área, agora pela meia-direita e, de primeira, desferiu um remate fortíssimo que saiu a rasar a trave (90+2′). Na resposta, Viktor Gyökeres isolou Jurriën Timber com um grande passe, o defesa contemporizou e isolou Martinelli que, na cara de Caoimhin Kelleher, rematou para uma importante defesa do irlandês (90+3′). Ainda houve tempo para Aaron Hickey entrar e ver, no último lance, Jensen finalizar para nova defesa de Raya (90+6′). Desta forma, o dérbi terminou empatado e deixa o Arsenal com quatro pontos de vantagem para o Man. City e sete para o Aston Villa (1-1).