Quis o destino que Pepe estivesse novamente presente no traçar de futuro da Seleção Nacional. Depois de, em junho, ter entregue o troféu da Liga das Nações a Cristiano Ronaldo, o antigo internacional português foi, uma vez mais, escolhido pela UEFA para as suas ocasiões cerimoniais. Foi das mãos de Pepe que saíram as 16 bolas das equipas presente na Liga A da Liga das Nações, com Portugal a calhar no Grupo A4, juntamente com duas seleções nórdicas, a Dinamarca e a Noruega, e uma equipa britânica, o País de Gales. Curiosamente, foi com um sorriso que o ex-central foi revelando o nome das equipas que iam surgindo no caminho da Seleção, percebendo de imediato que a tarefa, apesar de não ser fácil, estava longe de ser difícil.

Dinamarca, Noruega e País de Gales no caminho da Seleção rumo ao tri: Portugal sorteado no Grupo A4 da Liga das Nações

Incontornavelmente, não fosse o vencedor do troféu e a equipa que mais vezes o levantou (duas), Portugal é o principal alvo a abater neste quarto agrupamento da divisão principal, com Dinamarca a perfilar-se, na teoria, com a seleção adversária de maior valia. Curiosamente, a equipa de Roberto Martínez volta a encontrar a seleção nórdica na Liga das Nações, depois de a ter eliminado, no prolongamento, nos quartos de final da edição passada. Esse jogo acabou por ser bastante importante na caminhada rumo à conquista do troféu, com o selecionador nacional a revelar, mais tarde, que o duelo com os dinamarqueses serviu como um “ponto de viragem” na trajetória portuguesa na competição.

Atualmente treinada por Brian Riemer, a Dinamarca ocupa o 21.º lugar no ranking da FIFA e apresenta-se como uma das seleções europeias de maior valia, apesar de ainda estar a lutar por lugar no próximo Campeonato do Mundo, depois de ter terminado o Grupo C da fase de qualificação atrás da Escócia. No estágio de março, os dinamarqueses terão de superar a Macedónia do Norte para estarem, pela terceira edição consecutiva, na fase final do Mundial. Quanto à Liga das Nações, a Dinamarca só superou a fase de grupos na última edição. O histórico joga a favor de Portugal, que venceu 12 dos 18 jogos entre as duas equipas. Victor Froholdt e Morten Hjulmand são alguns dos nomes mais mediáticos de um plantel que conta ainda com Kasper Schmeichel, Andreas Christensen, Patrick Dorgu, Christian Eriksen ou Rasmus Hojlund.

Da Escandinávia surgiu mais um adversário de Portugal, no caso a Noruega, que tem como principal figura, de forma incontornável, Erling Haaland. Começando por aí, um dos aperitivos dos dois embates entre portugueses e noruegueses vai ser o duelo do avançado de 25 anos com Rúben Dias, que saltará dos treinos diários do Manchester City para os relvados da Liga das Nações. O último duelo oficial entre Portugal e Noruega dista de 2011 (casa, 1-0) e, no historial, a Seleção só perdeu por uma vez, precisamente na mesma fase de qualificação (fora, 0-1). Olhando ao ranking FIFA, os nórdicos ocupam o 32.º lugar, depois de terem garantido a qualificação para o Mundial, algo que não acontecia há 28 anos e que é resultado do crescimento norueguês na última década. Andreas Schjelderup é outros jogadores que tem marcado presença nas convocatórias de Stale Solbakken.

Por fim, Portugal vai reencontrar o País de Gales, adversário de boa memória na caminhada vitóriosa em França, no Europeu de 2016. O jogo das meias-finais, que terminou com triunfo português, foi a última vez que a Seleção defrontou os galeses e a única em termos oficiais. Atualmente, os britânicos estão longe de ter o poderio da geração que rubricou a melhor prestação de sempre do país em grandes competições, pelo que deverão ser o adversário mais favorável no Grupo A4, posicionando-se no 35.º lugar do ranking mundial. Ainda assim, o estilo de jogo físico e veloz de Craig Bellamy pode surpreender os adversários, com a qualidade de nomes como Harry Wilson ou Jordan James a sobressair. Para além desses dois nomes, Neco Williams, Daniel James, Brennan Johnson e Ben Davies aportam qualidade ao País de Gales.

No final do sorteio desta quinta-feira, realizado em Bruxelas, na Bélgica, Roberto Martínez perspetivou uma tarefa difícil para a equipa das quinas, apesar de ter assumido o favoritismo. “Vão ser desafios diferentes. Acho que equipas como a Dinamarca e a Noruega podem ser um desafio. Respeitamos muito o talento dessas equipas. A Dinamarca é uma equipa que está em forma no futebol europeu. A Noruega está a desfrutar das conquistas recentes, como o regresso ao Mundial. Conhecemos bem a Dinamarca. O País de Gales é uma seleção competitiva, que joga olhos nos olhos contra todas as equipas da Europa. Vamos defrontar três adversários que vão abrir os jogos e acho que os nossos adeptos vão desfrutar muito do nosso futebol”, começou por dizer o selecionador nacional ao Canal 11.

“Gerir? Não. Não têm o nome nem o peso de outras seleções, mas estamos a falar de equipas — Dinamarca e Noruega — que estão em forma. O nosso desempenho precisa de estar ao máximo nível. É a primeira vez que há dois estágios para seis jogos. São duas semanas com quatro jogos e é um desafio novo e importante para os jogadores conseguirem gerir. Em novembro serão jogos para desfrutar e crescer, para gerir não. Hoje [quinta-feira] é um dia para o adepto português desfrutar. O nome de Portugal esteve em alta. Depois de hoje estamos focado no Mundial e temos o estágio de março como preparação para isso. As competições, ao nível de seleções, são independentes. Hoje podemos estar orgulhosos da nossa Seleção e desfrutar da Liga das Nações”, concluiu o espanhol.

Já Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), sublinhou que Portugal entra em todas as competições para ganhar. “Portugal é campeão em título e, portanto, assumimos essa responsabilidade. Somos a única seleção que conseguiu, até este momento, ganhar duas Ligas nas Nações. Temos essa responsabilidade. Não há sorteios fáceis quando temos este nível de seleções, mas entraremos com a ambição normal de quem quer ganhar este troféu, de quem quer revalidar aquilo que foi a nossa vitória, numa competição que terá uma novidade: quatro jogos feitos na mesma poule e, portanto, traz-nos esse desafio. Há ainda a curiosidade de, na altura do inverno, Portugal ir jogar contra equipas nórdicas. A Seleção vai dar uma belíssima resposta. Mais do que ganhar, há a garantia de que as nossas seleções vão ter continuidade. As próximas duas décadas estão absolutamente asseguradas, não só no futebol de 11, como no futsal, no futebol masculino e feminino e no futebol de praia”, disse ao Canal 11.

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