Augusto Santos Silva escreveu um texto a criticar Marcelo Rebelo de Sousa por ter obrigado António Costa a tomar posse como ministro dos Negócios Estrangeiros por um dia (para o próprio ir para presidente da AR) e agora não ter dado posse a Luís Montenegro como ministro da Administração Interna. Sugeriu a “dualidade de critérios” do atual Presidente “consoante a cor política” e acusou-o de, em 2022, ter feito uma coisa “ridícula”. Duas horas e doze minutos depois, o ex-Presidente da AR “corrigiu” a publicação inicial, reconheceu que Marcelo agiu na altura à “luz da lei”, reconheceu legislação mudou entretanto e admite que o que foi “ridículo” foi a sua crítica.

Na primeira publicação, na sua página pessoal de Facebook, Santos Silva tinha criticado Marcelo por considerar “indispensável empossar formalmente o primeiro-ministro António Costa nas funções de MNE por um dia exato”. Acusava ainda um semanário “vulgarmente chamado ‘Expresso’” de ser um “sempre diligente (…) meio oficioso da Presidência”, por ter explicado que Marcelo pretendia demonstrar quem tinha a última palavra.

Além de sugerir a tal dualidade de critérios, Santos Silva elogiava ironicamente a “capacidade humana de aprender ao longo da vida”, registando que era isso que separava os humanos dos animais. E acrescentava: “Ao contrário destes, fazemos muitas vezes coisas ridículas e, aprendendo com elas, evitamos repeti-las.”

Depois de tão corrosiva crítica, Santos Silva descobriu que ele, afinal, é que estava errado. “É que fui entretanto informado de que, na sequência do que se passou em 2022, a legislação foi alterada, passando expressamente a prever o mecanismo de exercício interino de funções por parte do primeiro-ministro, em caso de vacatura temporária num Ministério”, explicou. Assim, admite, “não era agora necessária a posse formal do PM como ministro da Administração Interna”.

Santos Silva assume então que a “coisa ridícula que sucedeu em 2022”, de Costa ter tomado posse como ministro dos Negócios Estrangeiros, “era então defensável à luz da lei, tendo-se limitado o Presidente da República ao seu estrito cumprimento”. O ex-Presidente da AR, mostrando algum fair play, deixou publicada a publicação onde erro, explicando o porquê: “Também para mostrar como pode ser ridículo um sociólogo (eu próprio) quando se aventura no saber labiríntico dos juristas.”

[Gregorian Bivolaru dá todos os passos do manual de manipulação. Mas quem vive no interior da seita vai demorar a perceber. Ouça o terceiro episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio e o aqui o segundo.]