O Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP, na sigla em inglês) conquistou a maioria absoluta nas primeiras eleições legislativas organizadas desde a insurreição que causou a queda do regime de Sheikh Hasina em 2024, anunciou esta sexta-feira a comissão eleitoral.

O partido liderado por Tarique Rahman obteve 212 dos 300 mandatos em disputa, contra 77 da coligação liderada pelos islâmicos do Jamaat-e-Islami, declarou o primeiro secretário da comissão, Akhtar Ahmed, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

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O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, já felicitou Tarique Rahman pela vitória nas eleições do Bangladesh, país que fez parte do Paquistão até à independência em 1971. “Felicito igualmente o povo do Bangladesh pelo bom desenrolar das eleições”, escreveu Sharif nas redes sociais, acrescentando que esperava trabalhar em estreita colaboração com os novos líderes.

As eleições foram organizadas por um governo interino liderado pelo prémio Nobel da Paz Muhammad Yunus, formado após a queda do regime de Hasina na sequência de protestos generalizados contra o nepotismo no país asiático.

“A vitória era esperada”, disse um dirigente do partido, Salahuddin Ahmed. “Não é surpresa que o povo do Bangladesh tenha depositado a sua confiança num partido pró-Bangladesh e capaz de realizar os sonhos expressos pela nossa juventude durante os protestos”, acrescentou.

Na manhã desta sexta-feira, os nacionalistas já tinham reivindicado a vitória do movimento. De acordo com projeções das televisão locais, divulgadas às 7h30 (1h30 em Lisboa), o BNP teria conquistado 212 dos 300 lugares no parlamento. Os resultados já teriam sido contados em 288 dos 299 círculos eleitorais do país asiático, mas a comissão eleitoral ainda não tinha anunciado qualquer resultado oficial.

A aliança liderada pelo Jamaat-e-Islami apresentou uma queixa à comissão eleitoral alegando irregularidades durante o processo.

A embaixada dos Estados Unidos em Daca enviou uma mensagem ao BNP, felicitando o partido pelo que descreveu como uma “vitória histórica” nas eleições legislativas de quinta-feira. “Parabéns ao povo do Bangladesh por esta eleição vitoriosa e ao Partido Nacionalista do Bangladesh e a [o líder do movimento] Tarique Rahman pela sua vitória histórica”, escreveu a embaixada, numa mensagem, publicada nas redes sociais.

Mesmo antes do fecho das urnas, na quinta-feira, Rahman já tinha manifestado a confiança à imprensa: “Vencerei as eleições. Teremos maioria suficiente para governar o país com tranquilidade”.

Rahman, de 60 anos, regressou, em dezembro, de 17 anos de exílio no Reino Unido, para suceder à mãe, Khaleda Zia, que foi primeira-ministra durante três mandatos, como líder do BNP.

O Bangladesh realizou na quinta-feira eleições legislativas e um referendo constitucional num clima festivo e sem mortes. Apesar de incidentes isolados, como a explosão de um dispositivo caseiro de baixa potência que feriu três pessoas, autoridades e partidos políticos descreveram o dia como maioritariamente pacífico.

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A contagem dos votos nas legislativas e no referendo sobre a reforma constitucional definirá o fim do Governo interino de Muhammad Yunus. O Prémio Nobel da Paz assumiu o cargo após a demissão de Hasina, em resultado de protestos contra um sistema de quotas que reservava mais de metade de todos os empregos do setor público para familiares de veteranos de guerra.