Transformar o Quartel da Graça, em Lisboa, num hotel de luxo: era esta a ideia subjacente ao contrato de concessão que o Estado português assinou com o grupo hoteleiro Sana, em 2019, contando com a inauguração de um hotel de cinco estrelas daí a quatro anos, após um investimento de 30 milhões de euros. Mas afinal o grupo incumpriu o contrato, encontrando-se agora o quartel abandonado e em estado de degradação.
A história é esta segunda-feira contada pelo jornal Público, que revela que várias das cláusulas previstas no contrato assinado ao abrigo do programa Revive (para requalificar património histórico) estão em incumprimento — era suposto as obras terem terminado em quatro anos, prazo até ao qual o hotel teria de começar a ser explorado, e até 30 dias depois seria preciso apresentar um plano de manutenção do edifício.
O Sana ficou também obrigado a pagar cerca de 1,79 milhões de euros por ano ao Estado pelo uso do edifício, tendo o Público questionado o Governo e o grupo hoteleiro sobre o cumprimento do contrato e sobre se este pagamento está a ser feito, sem respostas (o grupo justificou que se trata de “matérias contratuais”).
Como o jornal destaca, o edifício continua inacessível ao público e está em visível estado de degradação, sem perspetivas de melhorar. Quando o contrato foi assinado, como contava aqui o Observador, o Governo então liderado por António Costa concessionava o imóvel por 50 anos referindo que o hotel seria um “fator de geração de riqueza e de criação de emprego na cidade de Lisboa”.
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